Dalai-lama fala a 6 mil pessoas em SP
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domingo, 30 de abril de 2006
Diógenes Muniz<br> Folhapress 
São Paulo - O líder budista Tenzin Gyatso, 70, o dalai-lama, que chegou na última quarta-feira ao Brasil, falou ontem para cerca de 6 mil pessoas durante evento realizado no ginásio do Ibirapuera (zona sul de São Paulo).
No evento, o dalai-lama elogiou e disse que Jesus Cristo foi um grande mestre. Disse também sentir raiva quando as coisas dão erradas.
Durante sua fala, o dalai-lama percorreu temas que iam de compaixão à ética budista. Não sei se a compaixão é benéfica para quem a recebe, mas tenho certeza que é para quem a pratica.
No início de sua exposição, Gyatso foi interrompido por gritos de lindo e viva o dalai-lama. Minutos depois, as luzes da platéia se apagaram. Agora eu não consigo ver o rosto deles, parece que estão invisíveis, disse Gyatso. Como a luz não foi acesa, o monge brincou com a situação: bem, pelo menos vocês têm a oportunidade de dormir.
A conferência deu espaço para o público fazer perguntas por meio de papéis entregues à organização do evento. Uma delas questionava se aquele que é considerado a reencarnação de Buda também sentia raiva. Sim, pois sou humano. Quando as coisas dão erradas sinto raiva
Ao ser perguntado sobre a compaixão com o meio-ambiente, o monge citou o Rio Tietê, da cidade de São Paulo. Fiquei sabendo que esta cidade já teve um rio navegável, e que agora ele é muito poluído. Alguma coisa tem de ser feita em relação ao meio ambiente, antes que aconteça uma catástrofe.
Por fim, dalai-lama recebeu uma pergunta sobre sua opinião em relação a Jesus Cristo. Ao ser lida, a pergunta foi aplaudida pelo público. Jesus foi um grande mestre, quanto a isso não há dúvida alguma. Alguém que influenciou tantas pessoas por tanto tempo certamente não é ser ordinário. Entendo que ele foi alguma manifestação de um Buda, disse dalai-lama, para a euforia dos presentes, que bateram palmas antes mesmo de sua fala - em inglês - terminar.
No ginásio, muitas pessoas assistiam à palestra com semblante meditativo, de olhos fechados ou fazendo alongamentos yogues. Algumas até arriscavam a flor de lótus, posição em que as pernas se flexionam frontalmente.


