São Paulo - O líder budista Tenzin Gyatso, 70, o dalai-lama, que chegou na última quarta-feira ao Brasil, falou ontem para cerca de 6 mil pessoas durante evento realizado no ginásio do Ibirapuera (zona sul de São Paulo).
  No evento, o dalai-lama elogiou e disse que Jesus Cristo foi um ‘‘grande mestre’’. Disse também sentir raiva ‘‘quando as coisas dão erradas’’.
Durante sua fala, o dalai-lama percorreu temas que iam de compaixão à ética budista. ‘‘Não sei se a compaixão é benéfica para quem a recebe, mas tenho certeza que é para quem a pratica’’.
  No início de sua exposição, Gyatso foi interrompido por gritos de ‘‘lindo’’ e ‘‘viva o dalai-lama’’. Minutos depois, as luzes da platéia se apagaram. ‘‘Agora eu não consigo ver o rosto deles, parece que estão invisíveis’’, disse Gyatso. Como a luz não foi acesa, o monge brincou com a situação: ‘‘bem, pelo menos vocês têm a oportunidade de dormir’’.
  A conferência deu espaço para o público fazer perguntas por meio de papéis entregues à organização do evento. Uma delas questionava se aquele que é considerado a reencarnação de Buda também sentia raiva. ‘‘Sim, pois sou humano. Quando as coisas dão erradas sinto raiva’’
  Ao ser perguntado sobre a ‘‘compaixão com o meio-ambiente’’, o monge citou o Rio Tietê, da cidade de São Paulo. ‘‘Fiquei sabendo que esta cidade já teve um rio navegável, e que agora ele é muito poluído. Alguma coisa tem de ser feita em relação ao meio ambiente, antes que aconteça uma catástrofe’’.
  Por fim, dalai-lama recebeu uma pergunta sobre sua opinião em relação a Jesus Cristo. Ao ser lida, a pergunta foi aplaudida pelo público. ‘‘Jesus foi um grande mestre, quanto a isso não há dúvida alguma. Alguém que influenciou tantas pessoas por tanto tempo certamente não é ser ordinário. Entendo que ele foi alguma manifestação de um Buda’’, disse dalai-lama, para a euforia dos presentes, que bateram palmas antes mesmo de sua fala - em inglês - terminar.
No ginásio, muitas pessoas assistiam à palestra com semblante meditativo, de olhos fechados ou fazendo alongamentos yogues. Algumas até arriscavam a ‘‘flor de lótus’’, posição em que as pernas se flexionam frontalmente.

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