Curitiba

Kraw PenasGreca recebeu no Palácio o representante do Dalai Lama, Dawa TseringCuritiba deverá ser uma das três cidades brasileiras a serem visitadas em agosto do ano que vem pelo monge Dalai Lama, líder máximo religioso e político do Tibet que participará de encontros com grupos de defesa dos direitos humanos. Ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1989, Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, deverá vir a Curitiba para a abertura de uma conferência sobre meio ambiente.
Ontem, o representante oficial do Dalai Lama para as Américas, Dawa Tsering, esteve reunido no Palácio Iguaçu com o chefe da Casa Civil, Rafael Greca, e com o deputado federal Affonso Camargo para discutir o convite feito ao monge pelo governo do Paraná. Segundo Greca, a visita do Dalai Lama significa uma ‘‘conjunção de propósitos’’ entre o budismo e Curitiba.
‘‘A nossa tradição sempre acolheu diversas correntes e, apesar de o Tibet parecer uma coisa muito longínqua, todos nós temos o mesmo coração’’, disse o secretário. Houve troca de presentes e Greca rebeceu um ‘katá’, pedaço de seda branco que representa o sentimento de ‘ternura do coração’. Dawa Tsering recebeu um livro de fotos sobre Curitiba.
Na verdade, o principal objetivo da visita do monge ao Brasil é pedir aos governantes que se pronunciem contra a dominação chinesa no Tibet. Desde que a China passou a controlar a região, em 1948, a religião budista foi proibida no país e houve forte repressão política. Estima-se que atualmente existam cerca de 1.100 prisioneiros políticos no Tibet e que mais de 1 milhão de pessoas tenham morrido na luta pela liberdade de expressão.
A intenção da cúpula do Governo Tibetano no Exílio, constituído por Dalai Lama na Índia em 1958, quando ele deixou o Tibet, é pedir que o Brasil participe da moção de repúdio contra a violação dos direitos humanos. Em 1995, um documento contra a dominação chinesa posto em votação na Organização das Nações Unidas (ONU) deixou de ser aprovado por apenas um voto. ‘‘Até hoje o Brasil sempre se absteve de votar, permitindo que o problema continue existindo’’, disse o representante do Dalai Lama, Dawa Tsering.

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