Dados podem auxiliar estratégias
Realizar o tratamento adequado, respeitando a hora e a quantidade indicada de medicamento, entre outros fatores, é o que vai fazer a diferença no controle da doença, principalmente as crônicas, como hipertensão, diabetes e colesterol alto, que dependem de uso contínuo. Para o médico Marcos Cabrera, o estudo gera uma reflexão importante para os pacientes e profissionais da saúde, sobretudo aos responsáveis pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) com relação ao uso de medicamentos.
''Além da questão de qualidade de vida que está sendo privada, se 60% das pessoas usam os medicamentos de maneira irregular, do ponto de vista farmacológico, é dinheiro sendo jogado fora. Ao mesmo tempo, mostra que a vigilância em saúde tem sido altamente eficaz em seu propósito'', completa o médico. O próximo passo da pesquisa, de acordo com Cabrera, é levar os dados aos profissionais de saúde do município para que sejam traçadas estratégias racionais e de baixo custo, ''que não sejam resumidas ao manual de boas condutas''.
Para o professor, os dados obtidos podem ser extrapolados a outras cidades até mesmo de porte maior, como Londrina. ''O ideal é que nos próximos anos, além de intervir na doença, possamos chegar ao pré-diabético, ao pré-hipertenso, ou seja, antes que estes desenvolvam a doença. Tudo isso passa pela prevenção, que está diretamente ligada ao comportamento'', diz ele, comentando que 60% das pessoas da pesquisa estão acima do peso e apresentaram grau de glicemia (açúcar) acima do recomendado.
Os números poderão ser usados como base para projetos nos municípios, bem como argumentos para o desenvolvimento de programas específicos. Outros dez itens, cujos dados foram colhidos na mesma pesquisa, serão compilados e analisados pela equipe do Vigicardio. Um deles vai diagnosticar a quantidade de chumbo no sangue e capacidade funcional da população.(M.T.)





