Dá uma sensação de dever cumprido
A professora Claudete Carvalho Canezin, coordenadora do Núcleo Maria da Penha (Numape), revelou que a iniciativa surgiu em função das dificuldades que enfrentava no Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (Neddij), que existe desde 2006. "Nós atendíamos a criança, mas tínhamos que enviar de volta a mãe para o ninho do problema e a questão não era resolvida", explica.
Depois da implantação, Claudete diz que se sente realizada como cidadã e professora da universidade há mais de 20 anos. "Dá uma sensação boa, de dever cumprido em todas as áreas e de fazer o bem para seu próximo, por contribuir com essas mulheres que sofrem tanta violência. Nós damos a oportunidade delas saírem de tanta violência", afirma.
Ela explica que, além de prestar assistência às vítimas de violência doméstica, como era um projeto da universidade, não poderia sair dos objetivos da instituição. "Aqui contribuímos para a formação dos profissionais. Os alunos podem estagiar aqui a partir do segundo ano de Direito e os recém-formados em Direito e Psicologia podem vir trabalhar aqui", explica.
O Núcleo ainda promove palestras de conscientização. "Fazemos cursos para ajudar as mulheres a se fortalecer e enxergar uma perspectiva para sair daquela violência. Muitas estão sem perspectiva. Fazemos esse trabalho nos bairros para que elas possam sair dessa violência e dessa vulnerabilidade", afirma.
A estagiária Aline Gandra Almeida destacou que o Numape está tentando entrar em contato com as associações de bairros de Londrina para realizar esse trabalho de conscientização. "A dificuldade de buscar o núcleo é real. É uma situação bem difícil. Recentemente, duas pessoas que vieram ao núcleo relataram que não tinham dinheiro nem para o ônibus. Por isso queremos fazer esse projeto em bairros que possuem mais dificuldades para dar palestras sobre a Lei Maria da Penha", ressalta.(V.O.)





