Mário CésarEstranhos no ninhoSouza e Polezer, há 6 meses no prédio, já ‘‘sabem tudo’’ sobre caféCafé. O assunto não poderia ser outro. Da sobreloja ao 15º andar do Edifício América, as conversas de corredores e as frases ouvidas nos elevadores tratam de café. Zacarias de Souza e Edmar Edson Polezer que o digam. Eles são sócios de um escritório de advocacia e contabilidade localizado no 12º andar do prédio.
‘‘O edifício mantém a característica de um local de comércio de café. No elevador só se ouve conversa sobre caf钒, confirma Polezer. Antes da mudança do escritório de advocacia para o Edifício América, em janeiro deste ano, eles não tinham nenhuma noção sobre o preço de um saco de café. ‘‘Hoje ficamos sabendo inclusive se o preço caiu ou subiu’’.
Um passeio pelo prédio permite também ao visitante que testemunhou a fase áurea da cafeicultura uma incursão ao passado. O cheiro do café preparado para prova, por exemplo, é parecido com aquele que era passado em coador de pano, depois de colocado ao ponto em torrador caseiro e triturado em moedor comprado numa mercearia.
O primeiro contato do visitante, saindo do pavimento térreo, é com quatro empresas que trabalham com café, instaladas na sobreloja. Todo o primeiro andar é destinado ao Centro do Comércio do Café, entidade fundada em 1960 e que abriga em suas dependências a Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina. Ali estão à disposição dos comerciantes do setor terminais de computadores conectados com as bolsas de Nova Iorque e de São Paulo.
As quatro salas do segundo pavimento abrigam uma única empresa de café. Tem mais café no terceiro andar. O quarto pavimento reserva uma surpresa: ocupa as quatro salas uma firma de editoração eletrônica, um escritório de arquitetura, um consultório dentário e, sozinha, uma empresa de café.
Quinto andar: uma empresa de café reina absoluta no pavimento. NO sexto andar, o espaço é dividido por duas empresas de café. Mais café no sétimo, um pouco mais no oitavo e, para quebrar a rotina, um escritório de advocacia no nono pavimento.
O décimo pavimento também abriga um escritório de arquitetura. O resto, no andar, é café. No décimo primeiro, mais uma empresa fora do ramo: a sala 113 é ocupada pela filial de uma firma de Paranaguá que atua no segmento de transbordo de calcário. ‘‘Mas também estamos ligados às bolsas de mercadorias, que têm terminais conectados no prédio’’, informa uma funcionária.
Na subida, excluindo o escritório de advocacia do 12º andar, só dá café até o 15º pavimento e o aroma da bebida convida para um gole.
Num dos andares, João Nogueira Castro, que hoje trabalha com comércio de sacarias no estado do Espírito Santo, visita amigos da época em que tinha um estabelecimento no prédio. Ele sonha em voltar para Londrina, trabalhando no mesmo ramo. Quem sabe, de novo no Edifício América.

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