Da sala de aula para a comunidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de outubro de 2011
Mariana Guerin <br> <br> Reportagem Local <br> 
José da Paixão Daniel tem apenas 10 anos e uma imaginação que vai muito além de seu tamanho. Participante de um concurso de desenhos realizado pela União Europeia, o estudante da Escola Municipal Professora Heloisa Maria Paumira Victorina Giancristófaro, do Jardim Bandeirantes, em Arapongas, ficou entre os três primeiros em todo o mundo.
A ilustração mostra a terra repartida em duas metades e crianças tentando reagrupá-la só com bons sentimentos. ''Para a cidade melhorar é preciso que todas as coisas ruins sejam destruídas e bons sentimentos sejam colocados no lugar'', ensina José, ao explicar o desenho, que acabou em uma camiseta do projeto Criançada Bacana, idealizado pela professora Adriana Gentilin Cavalaro para os 21 alunos do quinto ano, turma da qual José faz parte.
Desde o início do ano, ela tem trabalhado a inclusão digital e a conscientização ambiental com a turma e o resultado foi tão positivo, que a participação ultrapassou as barreiras da sala de aula. ''Envolveu até formação política, com uma visita dos alunos à Câmara de Vereadores e ao gabinete do prefeito'', diz Adriana, citando ainda uma visita ao aterro sanitário municipal, onde os estudantes conheceram a destinação do lixo e os impactos negativos da falta de coleta seletiva.
Nas aulas, as crianças ainda aprenderam a preparar papel reciclado, construiram brinquedos com materiais recicláveis, cultivaram sementes em vasos ecológicos e plantaram e distribuiram mudas. Outra realização da turma foi a pintura do muro da escola.
''Vizinhos costumavam pendurar lixo no muro, então procuramos a Prefeitura, que passou uma mão de cal no muro para que os alunos desenhassem. Um vizinho, empolgado com o trabalho das crianças, passou cal no muro dele e pediu que elas pintassem o lado dele também'', conta Adriana.
Ela lembra que outros três vizinhos da escola decidiram comprar uma lixeira em conjunto para evitar deixar os sacos de lixo à mercê dos cães de rua. ''E os próprios lixeiros aumentaram em um dia a coleta no bairro'', completa a professora, informando que depois da experiência, as crianças não jogam mais cascas de lápis nem papel recortado no chão da sala de aula, não arrastam mais a carteira para evitar a poluição sonora e ensinaram as famílias a reciclar.
Até o final do ano, a turma deve visitar uma fazenda em Rolândia e conhecer a escola de trânsito. ''Como o ensino deve ser internalizado, trabalhamos no concreto e as crianças foram muito receptivas, com melhora no desenvolvimento de todos em geral'', opina Adriana, que criou um blog para divulgar os trabalhos da Criançada Bacana: criancadabacana.blogspot.com.
''Muitos nem sabiam ligar o computador e hoje escrevem textos para o blog, que contam como avaliação'', comenta a professora. Para ela, só faltava uma oportunidade para os alunos crescerem: ''No começo, havia um desinteresse pelas aulas. Hoje, eles gostam porque todo dia acontece algo novo e sabem que o que aprendem está no dia a dia de suas famílias.''
Adriana garante que além de ensinar, aprendeu muito com os alunos. ''Eles têm muito a ensinar sobre a realidade deles e tudo o que eles me trazem se reverte em conhecimento. Estou colhendo o que plantei mas não achei que fosse colher tanto. Estou sonhando.''


