De muro em muro, no meio da noite, eles invadem a cidade. Encarados com espanto e ao mesmo tempo com curiosidade pelas pessoas, os animais silvestres que têm o costume de ''visitar'' a zona urbana, na verdade, têm uma boa explicação para estarem aqui.
''Eles vêm da mata, geralmente dos fundos de vale, em busca de alimento, principalmente na época de calor'', justifica o soldado Renato Araman, da Polícia Ambiental Força Verde, que é acionada sempre que um ''ilustre visitante'' aparece.
Segundo o soldado Araman, o gambá é a espécie silvestre mais comum a aparecer. Por ser facilmente capturável, ele conta que muitas vezes, orienta os próprios moradores a recolherem o animal. ''Mas quando as pessoas encontram dificuldades, aí vamos até o local'', diz ele, que indica o uso de um balde ou até uma caixa de papelão para pegar o animal.
De acordo com Carmem Hilst, médica veterinária especialista em animais silvestres do Hospital Veterinário de Londrina, os gambás são alvos fáceis no trânsito. ''Eles ficam apavorados e muitas vezes acabam sendo atropelados'', afirma.
Foi o que aconteceu com um gambá que resolveu dar um giro pelo Centro da cidade, na semana passada. Moradores da Rua Paranaguá se comoveram com o gambá, que após ser atropelado ficou abandonado na via. ''Liguei para os bombeiros, Hospital Veterinário, ONG SOS Animal, Polícia Militar, mas todos diziam que não era da competência deles. Ao entrar em contato com a Força Verde, fui informado que a equipe responsável estava fora da cidade'', conta o morador Wellington de Marchi.
Recolhido pela Força Verde um dia após o acidente, o gambá foi encaminhado para o HV. ''Quando esses animais silvestres que são recolhidos na área urbana possuem condições de retornar à natureza, eles são soltos. Caso contrário, são encaminhados para o Parque Ecológico da Klabin, em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa)'', explica Carmem.
De acordo com ela, as espécies silvestres que são atendidas no HV com maior frequência não são os gambás, mas as aves. ''São animais que têm saído muito na mídia associadas à preservação e, por isso, muitas pessoas recolhem esses animais e trazem para cá'', conta ela, que recebe em média de uma a duas espécies por semana. Entre as mais comuns estão o papagaio e o sabiá.
Segundo a veterinária, os animais que costumam aparecer na cidade são os gambás e o ouriço cacheiro, conhecido popularmente como porco-espinho. ''Normalmente eles atacam os cães, que tentam capturá-los e acabam sendo machucados pelos espinhos'', conta Carmem.
Outro bichinho que vira e mexe também dá o ar da graça são os lagartos, que podem chegar até um metro de comprimento. ''Eles adoram quintais que têm galinhas, pois eles vão à procura dos ovos'', diz.
Independente da espécie e do tamanho do visitante, a Força Verde sempre orienta as pessoas a ligarem para a central, pelo telefone 3341-7733, para receber a orientação correta ou até mesmo garantir que o bichano seja devolvido ao seu habitat. Até porque, uma visita inesperada dessas pode acabar sendo desagradável.

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