A escolha profissional é um dos desafios enfrentados pela maioria dos adolescentes. Para alguns, essa preocupação começa muito antes de concluir o Ensino Médio. Já para outros, ela nunca existiu.
A história de Ruberley Augusto da Silva, de 32 anos, é um exemplo. À frente de uma empresa de desenvolvimento de software com foco em rastreamento, o jovem londrinense não imaginava que seus serviços teriam tamanho reconhecimento no mercado. Hoje ele atende mais de 20 empresas em todo o Brasil.
A única certeza que Silva teve desde pequeno é de que trabalharia com informática. ''Aos 9, 10 anos, eu adorava os games, mas minha brincadeira preferida era desmontar o controle remoto, os carrinhos de brinquedo e até o rádio de casa, para poder remontar sozinho'', conta.
Aos 13, Ruberley pediu para o pai matriculá-lo em uma escola de informática e, um ano depois, arrumou emprego em uma autopeças, onde manuseava o sistema dos computadores. ''Nessa fase eu já me interessava por livros e revistas de informática e fui, sozinho, aprendendo tudo'', diz.
Antes de completar 15 anos, Ruberley criou um software para o extinto Colégio Delta. ''Foi meu primeiro emprego na área. Eu estava tão disposto a me profissionalizar naquilo, que guardava todo o salário para comprar um computador. Naquele tempo, era muito caro, mas eu precisava de um para aprender mais'', revela.
A internet também era novidade. Ruberley lembra que a Sercomtel chegou a montar um posto no Centro da cidade para que as pessoas pudessem conhecer e sentir como era estar conectado ao mundo. ''Eu não saía de lá. Para mim, aquilo tudo era um verdadeiro fascínio'', diz ele, que em nenhum momento teve dúvidas sobre a carreira profissional. ''Foi muito natural. Não cheguei a fazer faculdade, mas fiz muitos cursos técnicos e estudava em casa por conta prória. Quando vi, já estava montando minha própria empresa'', conta.
Incentivo
No caso de Ruberley, a habilidade e o interesse despertados na infância tiveram uma projeção natural, resultando em uma grande carreira profissional. Mas como descobrir se um talento pode ser uma promessa de trabalho?
A psicóloga Cristhiane Mitsi, que atua como orientadora vocacional em Londrina, explica que quando a criança começa a ter um comportamento ou interesse em algo específico e é incentivada, ela passa a desenvolver uma habilidade.
''Não é pressionar para que a criança faça somente aquilo, mas incentivá-la de forma participativa. As crianças, muitas vezes, demonstram algumas habilidades que os pais nem percebem e acabam não estimulando. Isso, futuramente, pode criar dúvidas na hora da escolha profissional'', salienta. O importante, segundo a psicóloga, é que os pais fiquem atentos aos filhos, observando o que eles gostam de fazer e no que demonstram mais interesse.
Em relação aos adolescentes, Cristhiane observa, com base na experiência em orientação vocacional há 10 anos, que antes os adolescentes chegavam com mais dúvidas ao consultório. ''Hoje não, eles têm bastante informação. Ao chegar aqui, eles já sabem os interesses, mas não conseguem 'casar' com a escolha'', comenta ela, ao reforçar que, nesses casos, também prevalece a participação dos pais. ''Os pais podem buscar informações junto com o filho e expor os prós e contras da área de interesse'', diz.
Habilidade e gosto
Para quem ainda não sabe qual caminho seguir, a psicóloga dá algumas orientações. Ela cita que é importante conhecer quais profissões seguem a linha da área de interesse, saber como é o dia a dia, conversando com mais de um profissional e escutar alguns estudantes sobre as disciplinas do curso.
E para quem optar pela orientação vocacional, ela explica que a pessoa passará por testes e consultas. ''Associando a habilidade apresentada pela pessoa ao gosto por determinadas áreas de trabalho, vai surgir uma profissão que será prazerosa para a pessoa e provavelmente irá trazer remuneração, pois quando a gente faz algo bem feito, somos reconhecidos'', ressalta.

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