Da boemia às portas das prefeituras
Londrina - O maestro e tenente da Aeronáutica Sebastião Lima nasceu em 1918, em Miraí (MG). Ainda criança, mudou-se com a família para o bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro. Depois de passagem pela boemia carioca, que lhe rendeu vários sambas gravados por artistas ilustres da época, com quem convivia no Café Nice, famoso reduto das estrelas do rádio, Lima ingressou na Aeronáutica. Até que no final dos anos 1950 foi transferido para Curitiba para fundar a Banda da Aeronáutica.
Como a vida noturna curitibana deixava a desejar no fim dos Anos Dourados, o músico foi aos poucos abandonando a verve de compositor popular para se dedicar à lucrativa atividade de criar hinos municipalistas, já na década de 1970. Ele seguiu com as composições até pouco antes de morrer, em 1996. Além dos municípios, Lima também é autor do hino do Paraná Clube (com João Arnaldo) e do segundo hino do Coritiba (Eterno Campeão), em parceria com Vinícius Coelho.
O compositor, que era casado com Maria Gonçalves de Lima, deixou dois filhos e quatro netos. Todos ainda moram em Curitiba. A filha mais velha, Vera Gonçalves de Lima, de 66 anos, lembra com saudade das andanças do pai pelo Estado. "Quando ele entrou para a reserva, se dedicou totalmente aos hinos. Estava sempre viajando", conta. Segundo reportagens dos anos 1980, Lima viajava com cerca de 300 fitas com spots e composições para mostrar aos prefeitos.
O radialista Wasyl Stuparyk, que mantém um blog com as memórias do rádio no Paraná, reserva páginas em destaque destinadas à memória do amigo. "Eu rodava bastante com ele pelas gravadoras. Era muito querido e gostava de contar suas lembranças, inclusive as memórias do Café Nice", lembra.
O jornalista Luiz Geraldo Mazza relata que Lima conseguia rimas para as mais difíceis ocasiões. Em nota publicada na FOLHA em 23 de maio do ano passado, Mazza destacou as incursões do amigo aos dicionários para chegar a palavras como "alfafais", que incluiria no hino de Bandeirantes (Norte Pioneiro). Em tempo, alfafais significa "extensos aglomerados de alfafas em determinada área", segundo o dicionário Houaiss.(C.F.)





