ReproduçãoEducaçãoD. Jerônimo: ‘‘O coração e a educação cristãs sempre serviram de pilares para o engrandecimento da humanidade’’Um pouco debilitado pela idade, mas muito lúcido, D. Jerônimo Mazzarotto completa amanhã 100 anos de idade otimista com a vida, acreditando que os problemas do mundo podem ser resolvidos. Para solucionar qualquer dificuldade, o bispo aposta na mensagem de Deus e na formação cultural do homem. ‘‘O coração e a educação cristãs sempre serviram de pilares para o engrandecimento da humanidade’’, avalia D. Jerônimo.
Apesar de ter esta visão positiva, o bispo reconhece que os costumes mudaram. ‘‘A velocidade do desenvolvimento econômico nem sempre segue os passos da formação educacional e da justiça social. A resolução desse dilema, que nos coloca em conflito, vai resultar no crescimento de todos’’, comenta.
Esse filho de imigrantes italianos, que vivenciou o florescer da colônia (hoje bairro) de Santa Felicidade na virada do século, foi responsável pela fundação de duas igrejas e um colégio, além da Universidade Católica do Paraná, que mais tarde se tornaria a Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Letrado em Latim e Filosofia, D. Jerônimo se tornou um ardoroso defensor da propagação da cultura. Durante anos, ele alfabetizou e ofereceu cursos de artesanato às famílias carentes, que buscavam ajuda na Paróquia de Santa Terezinha. ‘‘Isso são apenas obrigações que todo ser humano deve fazer’’, diz, modestamente.
ReproduçãoAmizadeD. Jerônimo com o amigo D. Pedro Fedalto, arcebispo de Curitiba
Dedicação ao ensino religioso, D. Jerônimo teve desde cedo, herdando a tradição de seus pais - Ângelo e Amália Mazzarotto. Toda noite, antes de deitar, os Mazzarotto se reuniam para rezar o terço. Por causa dessa religiosidade, na família dele, dos 12 filhos, sete se tornaram religiosos, sendo quatro padres (dois deles bispos) e três freiras. ‘‘Volta e meia, eu enfrentava os campos, o mato, para ir ajudar na missa nas capelas vizinhas de Santa Felicidade, como a de Botiatuvinha’’, relata o padre, no livro ‘‘D. Jerônimo Mazzarotto’’, publicado pela Fundação Cultural de Curitiba.
O menino Jerônimo viveu a rotina típica de um jovem do interior, mesmo estando em Santa Felicidade. Ele ia a escola e ajudava seu pai na fábrica de barricas para exportar erva-mate. ‘‘Morávamos numa chácara que tinha cavalos, vacas, porcos, galinhas, marrecos, gansos e pombos’’, recorda-se.
Aos 12 anos, ele deixou Santa Felicidade para viver no Seminário Menor, em Curitiba. ‘‘Foi lá que tomei gosto pelos estudos e letras’’, conta. Depois de concluir os estudos neste seminário, D. Jerônimo foi continuar os estudos no Seminário Arquidiocesano de Mariana (Minas Gerais), onde concluiu a formação para padre. ‘‘Em 1921, numa cerimônia simples, na Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, fui ordenado padre’’, disse.
Depois de ordenado, ele se tornaria vigário cooperador e auxiliar da Cúria do Bispado. ‘‘Por esta época, um dos irmãos dele ficou muito doente, a ponto de ter sido desenganado pelos médicos. Fervoroso, D. Jerônimo rezou pedindo a Santa Terezinha que ajudasse o irmão’’, conta D. Pedro Fedalto, arcebispo de Curitiba. As rezas deram certo, tanto que o bispo implantou a devoção a Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.
Pela graça, D. Jerônimo criou duas igrejas em nome da santa. ‘‘Ele procurou pela cidade um terreno para construir a Paróquia de Santa Terezinha’’, conta o diretor da Santa Casa, Ary de Christan. Christan disse que para construir a paróquia o bispo Jerônimo comprou de uma velha senhora um terreno vizinho ao da Cúria. Mais tarde, os herdeiros dela tentaram embargar a venda, alegando insanidade da mãe. A confusão foi tanta que o processo acabou nos tribunais. Depois de várias perícias, o juiz estava propenso a dar ganho de causa aos herdeiros. ‘‘Foi quando D. Jerônimo, indagado pelo juiz sobre a sanidade da senhora, afirmou que como padre não podia dar a comunhão a quem não tinha juízo, o que serviu para convencer o juiz a conceder a posse à Igreja’’, recorda Christan.

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