D. Geraldo defende rituais africanos
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segunda-feira, 01 de março de 1999
Áureo Nogueira 
O recém-nomeado arcebispo de Salvador (BA), dom Geraldo Majella Agnelo, que toma posse no dia 11, é favorável à introdução de ritos africanos na liturgia da Igreja. Em entrevista coletiva concedida ontem em Londrina, dom Geraldo disse que nos últimos sete anos e meio, período em que foi secretário da Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, no Vaticano, recebeu muitas sugestões de bispos africanos que defendem a adaptação da liturgia da igreja aos valores culturais do povo daquele continente.
Mais importante do que os meios são os fins. O interesse da Igreja é pregar o Evangelho. Isso é o que realmente importa. Muitas das manifestações culturais africanas e afro-brasileiras expressam sentimento de religiosidade e não apresentam contradição com a fé cristã, enfatizou ao se referir ao sincretismo religioso existente na Bahia.
Assim que foi divulgado o nome de dom Geraldo como o novo arcebispo de Salvador, grupos de minorias, entre eles os gays, disseram esperar que ele seja mais aberto que o antecessor, dom Lucas Moreira Neves. Dom Geraldo adianta que vai manter diálogo com todos os segmentos da sociedade.
Sobre a possibilidade de ser o sucessor de João Paulo II, dom Geraldo disse apenas que qualquer varão batizado pode ser papa. Como eleitor no Colégio dos Cardeais, dom Geraldo Majella Agnelo, que será o primaz do Brasil, tem chance de ser Papa. Mas essa possibilidade não faz parte dos meus planos.
Quanto a temas como aborto, divórcio e uso de camisinha como instrumento de combate à transmissão da Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, além de contraceptivo, dom Geraldo Majella reiterou antiga posição da Igreja. Não há nenhuma novidade sobre esses temas. Ele reafirmou que a Igreja sempre foi em defesa da vida, desde a concepção até a morte natural.
Também quanto ao divórcio, a posição do bispo é a mesma: O homem não pode desunir o que Deus uniu. Lembrado de que a própria Igreja organiza grupos de casais que discutem como melhorar o segundo casamento, dom Geraldo disse que a preocupação da Igreja é incluir e não excluir. As pessoas não podem ser marginalizadas.
Sobre a Campanha da Fraternidade deste ano, que trata da questão do desemprego, dom Geraldo disse que o tema é muito pertinente. Este é um problema que afeta não somente o Brasil, mas todo o mundo. É, obviamente, provocado pelo modelo econômico neoliberal, que deve ser alterado.


