Cyber cafés promovem inclusão digital
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Sinônimo de bom negócio para pequenos investidores no início da década, os cyber cafés e lan houses perderam espaço para a popularização dos microcomputadores e acesso facilitado à internet rápida doméstica. Nos bairros da periferia, entretanto, esses locais continuam sendo a melhor alternativa de acesso à rede mundial para quem não tem computador em casa. Mais que estabelecimentos comerciais, os cybers que oferecem computadores conectados ao preço médio de R$ 1,50 por hora funcionam também como agentes da inclusão digital.
No Conjunto Armindo Guazzi (Zona Leste), o cyber de Fernanda Keiko Tsuruta concentra adolescentes de 16 anos, em média, que procuram os serviços ofertados para acessar MSN, Orkut e fazer trabalhos escolares. A maioria não tem computador em casa. Muitos também frequentam eventualmente, quando a internet doméstica dá problemas, explica.
A frequência é maior nos finais de tarde e início da noite. É um bom negócio manter um cyber em bairros onde as pessoas ainda não conseguiram comprar computador. Faz um ano que abrimos e sempre temos movimento, revela Fernanda.
Do outro lado da cidade, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), outra proprietária de cyber, Rogéria Zanuto, conta que também recebe muitos clientes sem acesso à internet. Alguns até têm computador, mas não instalaram internet
rápida, diz.
O local é ponto de encontro dos adolescentes da região. Muitos não possuem equipamento para imprimir as tarefas em casa, ressalta Rogéria, que atende também representantes comerciais de passagem pela região e adultos à procura de empregos. Essas pessoas usam o cyber café para entrar em sites de agências e enviar currículos. Depois voltam quase todos os dias para ver se algum possível empregador entrou em contato.
A comerciante é também uma espécie de professora de informática, que ensina noções básicas de acesso à rede para clientes sem contato anterior com o mundo virtual. Os idosos terminam cursos de informática e praticam aqui no cyber. Acabo dando uma assistência, afirma. Segundo ela, é grande o número de usuários que não sabe abrir e-mails. O uso das ferramentas do Orkut e MSN também causa muitas dúvidas, inclusive entre os jovens.
No penúltimo domingo a babá Isabel Cristina Rodrigues aproveitou o dia de folga para acompanhar a filha Priscila, de 18, ao cyber do Armindo Guazzi. Com parentes no Exterior, elas usam a internet principalmente para se comunicar com a família. A gente conversa mais pelo Orkut, contou ela, que estava ansiosa para ver se já havia fotos de um sobrinho que acabou de nascer na rede de relacionamentos.
No Bandeirantes, as irmãs adolescentes Fernanda e Zaine foram ao cyber para finalizar um trabalho escolar. Temos computador, mas não temos impressora. O cyber tem mais recursos, contaram. As duas vão ao local umas duas vezes por mês para fazer tarefas. Preferimos os computadores daqui porque é mais rápido. Orkut e MSN, usamos em casa.
Priscila Tatiane de Assis, 20 anos, estava no mesmo local abrindo e-mails. Uso também MSN e faço pesquisas, disse ela, que possui computador, mas ainda não tem condições de manter a internet de banda larga. Recém-empregada em uma loja de departamentos, a moça revelou que até algumas semanas atrás utilizava o cyber para procurar emprego. Fui chamada para várias entrevistas, afirmou. Priscila considera que pagar pelo uso dos computadores é mais vantajoso do que procurar as agências pessoalmente. Ir de ônibus aos locais acaba saindo
mais caro.


