Marcos NegriniConcorrência duraKlaus: almoço no meio do caminho entre Londrina e Maringá; rotina estafante entre duas cidadesO presidente da Comissão do Vestibular Unificado (CVU) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), João César Guirado, reivindicou ontem a realização de um vestibular único em todo o Estado. O estudante optaria por estudar em uma das universidades públicas do Paraná. ‘‘A medida evitaria esta maratona que vemos todos os anos, de vestibulandos correndo entre Londrina e Maringá para fazer provas na UEL e na UEM quase que ao mesmo tempo’’, afirmou Guirado.
Cerca de 1.500 estudantes estão fazendo as provas do vestibular da UEM no período da manhã, a partir das 8 horas, e da UEL no período da tarde, a partir das 14 horas. O cálculo é da CVU. Os 97 quilômetros que separam as duas cidades são percorridos em cerca de 20 ônibus fretados e carros particulares. A maioria dorme em repúblicas e almoça no meio do caminho.
É o caso de Klaus Marcelo Balbo, 18 anos, que mora em São Pedro do Ivaí, a 80 quilômetros de Maringá. Ele está fazendo vestibular para Agronomia na UEM, onde enfrenta 427 candidatos que disputam as 40 vagas do curso (6,7 por vaga). Na UEL, ele tenta Veterinária, que tem 1.224 estudantes disputando 40 vagas (30,3 por vaga).
Assim que termina a prova na UEM, Klaus e uma amiga embarcam num Corsa, dirigido pela mãe dela, e vão para Londrina. A viagem dura uma hora. O almoço é feito num restaurante à beira da estrada. ‘‘No primeiro dia, não cansei. Mas fico tenso durante oito horas e sei que é cansativo. É o meu segundo vestibular e infelizmente tenho que entrar neste esquema de fazer provas simultâneas’’, lamenta.
Wilson Ignacheyski Filho, 17 anos, e Gabriel Santini Dematte, 19 anos, são primos. O primeiro mora em Paranavaí, a 70 quilômetros de Maringá. O outro, em São Carlos do Ivaí, a 60 quilômetros de Maringá.
Wilson está fazendo dois vestibulares para Engenharia Civil (16,6 candidatos por vaga na UEM, 10,5 na UEL). É o seu primeiro vestibular. Já Gabriel faz as provas pela terceira vez. Está tentando Zootecnia na UEM e Veterinária na UEL.
Assim que acabam as provas em Maringá, eles comem uma marmita dentro do carro do pai de Gabriel, Jony Dematte, 45 anos. Junto com a mulher, Moema, Dematte leva os estudantes para Londrina. Eles voltam logo após as provas e pernoitam em Maringá. ‘‘No primeiro dia de provas, domingo, não cansei, mas hoje já saí da sala meio zonzo’’, admite Wilson.
Segundo dados da UEM, 85% dos estudantes que estão fazendo o vestibular em Maringá são de outras cidades do Paraná. ‘‘Mas temos também muita gente de Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto’’, diz Guirado.
ÍndiceA UEM divulgou ontem o índice oficial de desistência no primeiro dia do vestibular (domingo): 440 alunos (4,5%) não compareceram. A CVU considerou o índice baixo. A previsão é que a desistência total do concurso não passe dos 7%.

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