CVMR: sem data para entrar em funcionamento
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quarta-feira, 01 de fevereiro de 2017
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Desde novembro de 2016, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) desembolsa R$ 16 mil mensais pelo aluguel de um barracão na zona norte preparado para receber a Central de Valorização de Materiais Recicláveis (CVMR). O empreendimento, no entanto, ainda não tem data para entrar em funcionamento. O presidente da CMTU, Moacir Sgarioni, diz que falta consenso entre os representantes das cooperativas. Já os cooperados alegam que o atraso no início das atividades se deve à demora do município em entregar as documentações necessárias e à falta de capital de giro.
"Não fiquei muito animado (sobre o início das operações) porque a gente está debatendo e as cooperativas ainda não falam a mesma língua a respeito da central", disse Sgarioni. "A maior cooperativa, que é a Cooper Região, que atende quase 85 mil domicílios, não faz parte da cooperativa central. A central foi criada para que eles (cooperados) tivessem um volume maior para vender e ter um valor agregado maior. Se o maior gerador não faz parte, se 40% do lixo reciclável estão fora, fica difícil", avaliou. Além da Cooper Região, a Cooperoeste também não faz parte da central. "Também existem umas questões de legalidade ambiental que estão sendo ajustadas", acrescentou o presidente da CMTU.
Presidente da Cooper Refum e presidente da CVRM, Selma Maria de Assis disse que as atividades no barracão ainda não começaram porque os cooperados aguardam a licença ambiental expedida pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). "Sem essa licença, a Copel não faz a ligação da energia e não conseguimos a autorização do Corpo de Bombeiros para começar a funcionar. A gente não consegue iniciar o trabalho por causa dos problemas que o próprio poder público cria para a gente", protestou.
Selma disse ainda que das sete cooperativas existentes hoje em Londrina, cinco fazem parte da CVRM, mas a Cooper Região e a Cooperoeste já entregaram cartas de intenção, formalizando o desejo de integrar o projeto. "Não há falta de consenso entre a gente. Agora, as sete cooperativas estão juntas."
Presidente da Coocepeve e secretária da CVRM, Sandra Araújo Barroso Silva lembra ainda que o início das atividades depende do capital de giro, calculado em R$ 200 mil. "O capital de giro deve vir de parceiros. Enquanto o dinheiro não entra, não temos dinheiro para pegar o material das cooperativas para industrializar." A liberação do recurso, no entanto, também depende da licença ambiental. "Mesmo que viesse o dinheiro hoje, a gente só poderia armazenar o material na central, mas não poderia industrializar esse material por falta da documentação que quem libera é a própria prefeitura."
A CVMR foi planejada para agregar valor na comercialização dos materiais recicláveis, transformando as embalagens coletadas em matéria-prima para a indústria, aumentando a renda das cooperativas em até 20% e ampliando a oferta de trabalho para os catadores formais. (S.S.)


