Custo é motivo de descumprimento de normas
Curitiba - Para o professor Salmo Pustilnick, o não cumprimento de normas técnicas referentes a instalações elétricas está ligado principalmente a motivos de economia e a questões culturais. A ausência de profissionais capacitados para a realização dos serviços também contribui para que dispositivos obrigatórios não sejam utilizados.
''A questão econômica torna-se um grande argumento para o não cumprimento das normas'', afirma. ''Eventualmente, um profissional, para não perder o serviço, acaba cedendo alguma coisa da norma que julgue não ser tão importante ou que pode não causar problema de segurança'', acrescenta. Segundo o professor, as economias na compra de material para instalações elétricas acontecem porque elas podem representar até 40% do valor total de uma obra. ''Se você conseguir economizar 5%, é bastante dinheiro, principalmente considerando que um prédio custa alguns milhões de reais'', exemplifica.
Ele diz ainda que as restrições não deveriam atingir o uso de dispositivos como o DR ou o DPS, já que em média custam entre R$ 50 e R$ 60. Mas elas são observadas especialmente na aquisição de outros materiais, como os eletrodutos. ''Às vezes a empresa que está fazendo a obra substitui (o eletroduto) por mangueira, um material não certificado, mas muito mais barato'', afirma.
Além dos motivos econômicos, o professor declara que o não cumprimento das normas passa por uma questão cultural. ''Lutamos muito para incutir no coração dos alunos uma conduta ética, de cumprimento das normas. Se o profissional tem esta conduta ética, não vai se meter a fazer o que não sabe e isso já resolve uma série de problemas'', diz. Outro problema é a falta de fiscalização. ''É uma prática do brasileiro: se alguém fiscaliza, faço certo. Isso está errado. Não precisamos fazer certo porque alguém está fiscalizando, mas sim porque tem que fazer certo e ponto final'', declara Pustilnick.
O professor destaca ainda a falta de um engenheiro elétrico responsável em boa parte das construções. ''Ao invés de contratar um engenheiro para tocar a obra, a pessoa contrata um mestre-de-obras ou um eletricista, que não possui formação para isso'', diz. Por fim, ele critica que, para que algumas das obrigações previstas nas normas sejam cumpridas, são necessárias leis específicas sobre o tema. ''Isso depõe contra o País. Existem normas técnicas boas e elas bastariam para que a gente tivesse que cumpri-las'', conclui. (R.L.)





