A redução do valor do contrato da limpeza pública em Foz do Iguaçu de quase R$ 1,3 milhão para cerca de R$ 300 mil por mês levou a Câmara de Vereadores a criar uma Comissão de Inquérito (CI) para investigar o caso. O Legislativo está montando um dossiê sobre as denúncias de irregularidades nos pagamentos feitos neste ano à concessionária Consbrasil. Há suspeitas de desvio de verbas durante o período em que o custo do serviço era R$ 1 milhão mais caro.
A CI quer saber o motivo da diminuição, por quanto tempo as faturas chegaram as essas cifras e quem são os culpados de um eventual superfaturamento. Estudo feito pelo vereador Sérgio Beltrame (PFL), integrante da comissão, aponta que a prefeitura pagou, de janeiro a setembro, R$ 1,3 milhão à empresa responsável pelo setor. Depois das eleições, o custo teria sido reduzido para R$ 300 mil. Para o presidente da CI, Assis Paulo Sepp (PT), os números são conflitantes.
O diretor da Consbrasil, Yoshimitsu Oda, e o secretário do Meio Ambiente de Foz, Vilson Bastos, disseram ontem que não há problemas no acordo firmado pelas partes. Eles lembraram que a concessão encerrava em maio deste ano, mas como a nova licitação emperrou, governo e empresa firmaram um contrato de emergência por seis meses (cujo prazo terminou em novembro, mas foi renovado por mais seis meses).
Segundo Oda, o acordo inicial abrangia toda limpeza pública como coleta de lixo, varrição, operação do aterro sanitário, corte de grama, desentupimento de bueiro, pintura de meio-fio, roçada de mato e poda de árvore. Nesta época, a média das despesas repassadas à prefeitura era de R$ 700 mil, tendo alcançado, ‘‘em alguns meses, a cifra de R$ 1,3 milhão’’.
Já o contrato de emergência prevê a manutenção dos três primeiros itens (coleta, varrição e manuseio de caminhões no aterro), argumenta o diretor da Consbrasil. De acordo com ele, o valor caiu para R$ 300 mil porque houve diminuição de serviços prestados.
Os vereadores da Comissão de Investigação têm até 22 de dezembro para juntar documentos que comprovem as suspeitas, além de ouvir o prefeito Harry Daijó (PPB), o secretário de governo, Paulo Noburo Ynoue (PPB), o diretor da Consbrasil, e o ex-secretário de Meio Ambiente, vereador eleito com maior número de votos em Foz, Adilson Rabelo (PPB), que assinou o contrato na época.

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