Médicos da área de nefrologia em todo o Brasil denunciam que os custos para operações de hemodiálise subiram tanto, nos últimos anos, que a realização desse tratamento está ameaçada. Em Londrina, são 350 doentes que dependem da hemodiálise três vezes por semana para continuar vivos e, no Brasil, são 150 mil pessoas. ''Se a situação persistir como está, corremos o risco de não conseguir mais atender os pacientes'', afirmou o nefrologista Altair Mocelin, de Londrina. A elevação dos gastos com hemodiálise se deve a três fatores: o aumento das tarifas de água e energia elétrica, o aumento de salários dos profissionais de saúde e a alta do dólar.
De acordo com Mocelin, além do aumento dos custos, as unidades de tratamento estão ''subsidiando'' o Sistema Único de Saúde (SUS), já que recebem apenas R$ 93,58 por sessão de hemodiálise, enquanto o valor mínimo deveria ser de R$ 160,00 (valor calculado antes da alta do dólar). ''Há sete anos, o valor pago pelo SUS não é corrigido, para os doentes renais isso é mortal'', avaliou.
''Hoje, o nefrologista trabalha praticamente de graça'', afirmou Washington Luiz Côrreia, presidente de Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT). Em agosto, representantes da Associação se reuniram com Renílson Rehen de Souza, secretário de assistência à saúde do Ministério da Saúde, para reivindicar pagamentos maiores por diálise.
Numa carta enviada na semana passada ao ministro da Saúde, Barjas Negri, a Associação informa que cada sessão de hemodiálise consome 120 litros de água e cada paciente acarretaria o pagamento de 1.560 litros de água por mês. ''Uma clínica que realiza diálise gasta cerca de 7% de seus rendimentos só com água e luz'', afirmou Côrreia. Na questão salarial, o aumento médio da remuneração de profissionais da área de saúde teria sido de 48% nos últimos anos.
O aumento do dólar complicou a situação: Côrreia estima que 67% dos equipamentos utilizados em hemodiálise são importados, entre eles, capilares (dispositivo que filtra o sangue) e isoladores de pressão. ''O que acontece é que desde a tragédia em Caruaru (em 1996, quando quase 100 pessoas morreram após fazerem diálise em equipamento precário), o Ministério da Saúde baixou várias portarias determinando que as sessões fossem feitas com equipamentos de última geração'', disse Côrreia. ''Somos devedores em banco por mais dois anos, por conta da compra das máquinas importadas'', afirmou Mocelin.
Com a alta do dólar no final do julho, os nefrologistas entraram em pânico. Segundo Côrreia, todas as clínicas estão atravessando dificuldades financeiras e muitas talvez tenham que parar de prestar atendimento. ''As três grandes empresas que importam equipamentos para diálise enviaram comunicados para hospitais e clínicas afirmando que devem parar de importar equipamentos, já que é grande o número de médicos endividados'', explicou.

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