Os interessados em cursar os três anos da escola de formação de oficiais Academia Policial Militar do Guatupê, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), precisam ter, além de muita determinação e preparo, um bolso forrado. A Folha apurou os preços dos exames médicos exigidos para a seleção de candidatos e calculou que, com a ajuda de uma promoção especial, o candidato de Londrina e cidades vizinhas precisou desembolsar um mínimo de R$ 420,00 para realizar todos os exames requisitados. Preço proibitivo até mesmo para parte dos policiais militares que anualmente tentam conseguir uma das 15 vagas oferecidas na academia, reconhecida como um curso superior pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Para entrar na Academia da Polícia Militar, o candidato também precisa se inscrever no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Antes de fazer as provas escritas, ele tem que fazer as de habilidades específicas, divididas em três partes: psicológica, realizada em setembro; médica, em outubro; e física, em novembro. Elas ocorrem em Curitiba, e são eliminatórias. Só chega à prova seguinte quem for aprovado na anterior.
Os candidatos realizaram o exame psicopatológico em 20 de setembro. Porém, ao mesmo tempo, tiveram que providenciar uma série de procedimentos laboratoriais. São exames de sangue (com quatro testes específicos), fezes, urina, HIV; o toxicológico clínico, para detectar a presença de cocaína, anfetaminas, opiáceos, maconha, barbitúricos e benzodiazeprínicos; o radiológico de tórax; e o eletroencefalograma. Como precisavam ser apresentados a partir da última segunda-feira, data de início dos exames médicos, os testes laboratoriais foram feitos por todos os candidatos. Mesmo os não aprovados no psicopatológico, cujo resultado foi divulgado no dia 11.
Nada disso é custeado pela academia. Quem conseguiu o amparo dos planos de saúde teve que desenbolsar pelo menos R$ 150,00, preço promocional do único laboratório em Londrina capaz de atestar a negatividade para todas as seis substâncias tóxicas relacionadas. É uma grande diferença para outras academias. Em São Paulo, a Academia de Polícia Militar de Barro Branco realiza as provas de habilidades específicas, executadas após o vestibular da Fuvest, em uma única semana de testes. Inclusive os laboratoriais, realizados no Hospital Militar, e que são bancados pela Academia.
Para um candidato da região de Londrina, que pediu para não ser identificado, a exigência da realização dos exames antes de ter a certeza da aprovação no vestibular afasta muitos por causa do custo. ''Quem pode gastar tudo isso e não ter garantida a vaga é só os que têm melhores condições financeiras. Isso torna o processo elitista'', reclama.

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