Custo com alimentação passa de R$ 240 mil/mês
Fora das cadeias, é comum encontrar gente indignada ao ver o Estado custeando alimentação farta para os presos, enquanto milhões morrem de fome. Para estes, a diretora interina da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Bernadete de Fátima Teixeira, afirma: ''Não há injustiça nisso, é um direito dos presos. E a lei garante a eles não apenas quantidade, mas qualidade na alimentação''.
Cada almoço ou jantar na PEL custa R$ 2,87 ao Estado. O desdejum sai por R$ 0,88, totalizando R$ 6,62 por preso/dia. Nos distritos, embora não haja café-da-manhã, o mesmo custo sobe para R$ 7,20 por preso/dia. Falando em gastos mensais, a PEL desembolsou no mês passado R$ 137 mil com alimentação. A chefia da Polícia Civil não quis informar dados, mas cruzando o custo unitário com o total de presos que ocupavam os quatro distritos até ontem - 490 - estima-se que o gasto passe de R$ 105 mil por mês (confira no infográgico abaixo).
Para efeito de comparação, a Organização Não-Governamental (ONG) Viver - que recebe crianças e jovens carentes oriundos de outras cidades que fazem tratamento no Instituto do Câncer de Londrina (ICL) - gasta cerca de R$ 1,70 por pessoa/dia, incluindo café da manhã, almoço e lanche da tarde. ''A gente vive fazendo a 'multiplicação dos pães' aqui, já que nossa única verba vem de doações'', ressalta a nutricionista responsável pela ONG, Jeanina Scalon Cotello.
Jeanina conta que, quando trabalhou em um hospital infantil de São Paulo, percebeu disparates entre a comida fornecida à unidade de saúde e àquela destinada a presídios. ''Os próprios fornecedores me contavam: o que tinha de melhor ia para os presos, para evitar rebeliões, enquanto nós tínhamos uma lista restrita de itens para as crianças do hospital. Acho um absurdo os presídios terem toda essa regalia'', conclui. (V.N.)





