Marcos NegriniProtestoOs funcionários do curtume fecharam a empresa e não deixaram ninguém entrar e sair do localFuncionários do Curtume Frimendes, de Colorado (85 km de Maringá), fecharam ontem a área de produção e administração da empresa e até o final da tarde não permitiram que nenhuma pessoa saísse do local. Os cerca de 150 funcionários querem receber os salários atrasados desde janeiro. Eles querem ainda uma definição da Ascomex, que assumiu a administração da empresa em janeiro do ano passado e em dezembro do mesmo ano paralisou a produção.
Um dos diretores do grupo Frimendes, Claudio Mendes, disse que, em setembro de 96, a empresa fez uma parceria com o Banestado para saldar uma dívida. Quatro meses depois, segundo Mendes, o banco passou a administração para a Ascomex, que tinha como sócios dois ex-funcionários do curtume e um aposentado do Banestado. ‘‘A Ascomex assumiu toda a administração do curtume, manteve a produção até dezembro do ano passado, mas não conseguiu saldar a dívida’’, explicou.
Mendes disse acreditar que a dívida do curtume com o banco esteja em torno de R$ 1,6 milhão e mais R$ 50 mil da folha de pagamento de janeiro, além de alguns atrasados. ‘‘No total acredito que a dívida chegue aos US$ 3 milhões já que, no período, a Ascomex não recolheu o Fundo de Garantia nem INSS dos funcionários, como também não pagou os fornecedores’’, afirmou. Ele lembra que chegou a se reunir com diretores da empresa e do banco, em Curitiba, que prometeram encontrar uma solução para o problema. Mas nada havia sido feito até ontem.
Os funcionários disseram que não estão interessados nos entraves administrativos e querem receber todos os atrasados. Além dos salários de janeiro, boa parte tem férias atrasadas. O operário Edmauro de Souza relatou que o problema começou em dezembro, depois das férias coletivas. ‘‘Voltamos para trabalhar mas não tínhamos o que fazer e em janeiro pararam de pagar a gente. Hoje tem famílias com energia cortada e sem comida em casa’’. Ele contou ainda que os trabalhadores tentaram negociar com os sócios da Ascomex e com o banco, mas não conseguiram nada. ‘‘Por isso decidimos fechar a empresa’’.
O auditor do Banestado, Dario Sanches, que fez um levantamento das empresas envolvidas com o curtume de Colorado, disse que a dívida do grupo Frimendes com o banco gira em torno de R$ 6 milhões e que a Ascomex não assumiu o débito. Ele não sabe em que fase estão as negociações agora e acredita que a Ascomex não tem ligações com o Banestado. No escritório da Ascomex, no centro da cidade, um funcionário que não quis se identificar disse que a sala não pertencia à empresa. Dois trabalhadores do curtume, que acompanhavam a reportagem da Folha, reconheceram um dos sócios da Ascomex, de nome Ricardo, dentro da sala.

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