Londrina – O incêndio que destruiu a boate Mansão Palhano, na zona sul de Londrina, há 15 dias, foi causado por um curto-circuito no sistema de iluminação da casa noturna. A conclusão foi apresentada na manhã desta segunda-feira pelo chefe do Instituto de Criminalística de Londrina, Luciano Bucharles. A possibilidade de que uma ação criminosa tenha provocado o fogo, que chegou a ser cogitada durante a operação de rescaldo, foi descartada.
Bucharles explicou que as chamas começaram na parte superior do prédio, entre a cobertura e o forro. "Pela marca das chamas podemos perceber que o teto foi mais atingido que o piso. Isso indica a direção em que o fogo se alastrou", detalhou. Para o perito, uma ação criminosa teria o sentido contrário. "O incêndio criminoso começa pelo chão, geralmente alimentado por um produto inflamável", diferenciou.
Outros indícios também foram investigados. "Procuramos marcas de pegadas nos muros, de alguém que tivesse escalado, recipientes com produtos inflamáveis, mas não achamos nada. Seria muito improvável um crime assim às 18 horas de uma segunda-feira, em uma avenida movimentada", avaliou, referindo-se a Avenida Madre Leônia Milito.
Bucharles acredita que o incêndio tenha começado pelo menos uma hora antes da chegada dos bombeiros. "Foi um incêndio lento, o que indica que não foi alimentado por combustível", acrescentou.
Os bombeiros constataram três focos de incêndio sobre o telhado. "Chegamos a considerar um incêndio criminoso, pela característica multifoco, mas constatamos que os outros focos eram secundários, da mesma origem." O motivo da sobrecarga não foi identificado. Bucharles explicou que, como não houve vítimas, as investigações foram encerradas. "Como trata-se apenas de prejuízo material não causado por um crime, o caso é arquivado", esclareceu.
A direção da Mansão Palhano calcula que o prejuízo tenha ultrapassado R$ 2,5 milhões. A casa era considerada modelo em prevenção de incêndio. Bucharles informou que todos os equipamentos antichamas foram encontrados em meio aos destroços. "É uma constatação que não faz parte da perícia, mas o prédio estava devidamente equipado, inclusive com os revestimentos corretos. O problema é que esses materiais retardam, mas não impedem a propagação das chamas", frisou. "Se houvesse alguém no local, o fogo seria facilmente controlado no início."
Renan Massaro, um dos sócios da casa noturna, disse que já esperava que o incêndio não fosse criminoso, mas contou que não conseguiu entender as causas. "Pelos investimentos que fizemos, com materiais de primeira, inclusive com conduítes antichamas, é difícil de entender o que ocorreu. O que resta agora é aceitar", lamentou. Massaro adiantou que, se todas as liberações ocorrerem dentro do prazo, o pub deverá ser reaberto no mês que vem. Já a boate não deve voltar a funcionar. A diretoria da Mansão Palhano está organizando uma festa para arrecadar dinheiro para reformar o prédio e entregá-lo ao proprietário, além de pagar dívidas com credores e funcionários.

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