A conclusão de seis cursos profissionalizantes por 110 moradores de dois conjuntos que substituíram antigas favelas de Campo Mourão se transformou na principal esperança da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) de reduzir a inadimplência no pagamento das prestações. A falta de pagamento atinge cerca de 80% das 144 casas construídas como combate ao desfavelamento, muito acima da inadimplência média da Cohapar, que é de 20%.
A solenidade de entrega dos certificados de conclusão dos cursos foi realizada anteontem à noite. As mulheres foram maioria entre os mutuários que fizeram os cursos. A maior parte delas sonha, agora, em conseguir uma renda extra pra a família e regularizar o pagamento das prestações. Eni de Lourdes da Silva, 36 anos, por exemplo, fez três cursos – culinária, secretária do lar e confecção de pães, doces e salgados – na esperança de ajudar o marido.
‘‘As prestações estão atrasadas e a gente fica de cabeça quente’’, contou Eni. O marido dela começou a trabalhar agora como vigilante noturno, depois de um longo tempo desempregado. Eni é diarista, mas só conseguiu emprego em um dia da semana. ‘‘Não vejo a hora de conseguir ganhar algum dinheiro com esses cursos que fiz’’, ressaltou. A dívida de Eni e do marido na Cohapar é de R$ 259,00. A prestação dela é de ‘‘vinte e poucos reais’’.
A dona de casa Jandira de Souza também sonha com uma vida nova a partir dos três cursos que concluiu através da parceria entre Cohapar, prefeitura e Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família. Dois anos depois de ter trocado um barraco da favela por uma casa no conjunto Pinheirais, ela admite que ainda não pagou nenhuma prestação. ‘‘Não deu’’, explicou.
Segundo ela, o marido vive de ‘‘bicos’’ e o que ganha mal paga as despesas de alimentação. ‘‘Espero que fique mais fácil conseguir trabalho’’, disse Jandira. Ela lembra que quando morava na favela não era preciso pagar aluguel. ‘‘Agora, a gente paga água e luz e quase não sobra para a comida.’’
A Cohapar investiu R$ 10,5 mil na realização dos cursos. O chefe do órgão em Campo Mourão, Sebastião Carlos Mauro, disse que, apesar da grande inadimplência, não estão previstos despejos nos conjuntos de desfavelamento. ‘‘Vamos continuar negociando.’’

mockup