Cursos que formam docentes têm pouca concorrência
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quarta-feira, 15 de outubro de 2003
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
A crença na essência da profissão e na responsabilidade de ensinar são alguns dos motivos, segundo o coordenador do Colegiado de pedagogia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gilmar Aparecido Altran, que levam muitos jovens a optarem por ser professor. Ele lembra, porém, que a profissão já não atrai tantos como há 40 anos. De acordo com o coordenador, a realidade do profissional da educação começou a mudar desde o Regime Militar. De lá para cá, o mercado de trabalho se expandiu com o desenvolvimento dos grandes centros, porém, houve uma grande desvalorização do professor.
Para Altran, esta nova realidade desmotiva os jovens a pensarem na profissão. Ele conta que na universidade os índices mais baixos de concorrência estão nos cursos que formam professores. No vestibular de janeiro deste ano da UEL, o curso de pedagogia registrou a média de 5,65 candidatos por vaga para o turno vespertino. O curso de medicina teve uma média de 32 por vaga. Ele atribui esta estatística ao modo de pensar da sociedade. ''Hoje, há um atrelamento da formação profissional com a rentabilidade''. Um pensamento que também está presente nas famílias e ajuda para que a carreira de professor não seja vista como uma boa opção para o futuro dos filhos.
O contrário ocorre no colégio Mãe de Deus, que oferece o magistério junto com o ensino médio há 49 anos e o normal superior há dois. Segundo a diretora do colégio, irmã Dionéia Lawand, os pais são os maiores incentivadores das meninas que optam pelo magistério. Ela acredita que eles vêem no curso a possibilidade das jovens terem uma profissão aos 17 anos. Além disso, ela pôde constatar um aumento na procura pelo curso nos últimos anos. O colégio atende adolescentes de toda a região de Londrina. ''As meninas que fazem magistério saem com uma visão mais ampla de vida'', comenta.
A diretora do colégio também notou que o amor pela profissão cresce quando as alunas iniciam os estágios. ''Após o contato com a prática, quase nenhuma desiste do curso'', revela. Mas o coordenador do curso de pedagogia ressalta que o amor e a paixão devem andar sempre juntos com o aperfeiçoamento contínuo para que um bom trabalho seja desenvolvido.


