Oferecer qualificação profissional e facilitar o caminho até o mercado de trabalho de jovens com deficiência mental. Este é o desafio que vem sendo vencido através de cursos profissionalizantes oferecidos pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Londrina, graças a uma parceria com o Fundo de Amparo do Trabalhador e Federação das Apaes do Paraná. A parceria existe desde 97 e já foram realizados cinco cursos. O último, de confecção de rodos, lava-enxuga e escovas, terminou na sexta-feira passada, entusiasmando os nove aprendizes de marcenaria.
Um deles, Admilson Silva, de 19 anos, portador de deficiência mental moderada, contou, animado, que já estava pensando em sair da escola, mas o curso o fez mudar de idéia. ‘‘Eu estava enjoado’’, revelou, para logo em seguida dizer que começou a fazer o curso e se animou. ‘‘Estou gostando muito, agora sonho em fazer rodos para vender e ganhar dinheiro para comprar roupa e uma mala para viajar. Também quero guardar dinheiro no banco’’, disse Admilson, animado com a possibilidade de conseguir uma certa independência.
Outro aprendiz de marcenaria que não escondeu o entusiasmo com o novo ofício foi Marcos Jordão Amorim de Moraes, de 25 anos, portador de síndrome de Down. Falante, ele revelou que o que está gostando mais é de fazer as ‘‘vassourinhas’’ (escovas). ‘‘Já sei lixar, pintar, fazer um monte de coisas. Meu sonho era trabalhar em marcenaria’’, contou, animado.
Para a coordenadora do setor profissionalizante da Apae, Maria Helena Rubim, o curso surpreendeu pelos bons resultados. ‘‘Todos estão supermotivados.’’ Ela explica que este é o primeiro curso que tem produção (os anteriores foram de jardinagem, balconista de padaria, assistente infantil e auxiliar de garçom), por isso os alunos vão continuar trabalhando na marcenaria até conseguirem uma colocação no mercado. ‘‘O resultado do curso foi ótimo, só falta agora conseguirmos vender o material produzido’’, disse Maria Helena.
O marceneiro Osvaldo Augusto Eiras, de 61 anos, instrutor das aulas de confecção de rodos e vassouras, também se empolgou ao falar do desempenho dos alunos. Acostumado a trabalhar com deficientes mentais – é instrutor da marcenaria do Instituto Londrinense de Educação de Crianças Excepcionais (Ilece) desde a sua construção – ele não escondeu a emoção ao comentar sobre a surpreendente capacidade dos garotos. ‘‘Tenho certeza que os meninos daqui vão aprender tão bem como os de lá. Eles são muito inteligentes.’’
Seo Osvaldo contou que nos primeiros dias o trabalho para ensiná-los tem que ser mais intenso, ‘‘mas depois eles embalam’’. Em sua receita de aprendizado, os principais ingredientes são o amor e a paciência. ‘‘A atenção e a nossa responsabilidade também têm que ser maiores’’, afirmou.
De agora em diante a Apae espera fazer parcerias com lojas e supermercados para vender a produção de rodos e vassouras. A coordenadora ressaltou que o importante de iniciativas como esta é poder oferecer tanto a parte teórica como a prática, ‘‘complementando um trabalho que já realizávamos aqui dentro’’. Antes do curso, a marcenaria da instituição concentrava sua produção em brinquedos pedagógicos, pequenas mesas e armários, além de algumas peças para decoração feitas sob encomenda.

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