Edson MazzettoFerraza: maioria dos cursos não tem demanda no mercado de trabalhoCerca de 75% dos 380 mil alunos de escolas públicas estaduais de 2º grau frequentam cursos profissionalizantes que praticamente não têm demanda no mercado de trabalho. Os números foram divulgados pelo coordenador do Programa de Expansão, Desenvolvimento e Melhoria do Ensino Médio do Paraná (Proem), professor Ataíde Ferrazza, durante uma das etapas dos Seminários Regionais para Reformulação do Currículo de Ensino Médio, em Cascavel. Ex-diretor do Centro Federal de Educação Tecnológica no Paraná, Ferrazza reúne grande experiência no ensino profissionalizante.
Em Cascavel, os cerca de 850 professores de 19 municípios participantes começaram a elaborar o documento com as conclusões do seminário, que começou segunda-feira e terminou ontem. As discussões serão estendidas também para outros setores da sociedade, inclusive organizações da iniciativa privada com potencial para absorver alunos formados em cursos profissionalizantes.
Na atual etapa, os debates estão sendo realizados em todos os municípios onde a Secretaria de Educação do Estado mantém núcleos. As discussões finais serão em setembro, na ‘‘Universidade do Professor’’, em Faxinal do Céu.
Segundo Ferrazza, o Proem é um projeto para reformas a partir da observação da realidade dos cursos profissionalizantes e do mercado de trabalho. ‘‘Os atuais cursos não contemplam esta realidade’’, acrescenta o professor. Ele diz que além das escolas públicas, os estabelecimentos privados também formam pessoas em cursos que não garantem trabalho.
O professor menciona o caso dos contabilistas. Segundo ele, cerca de 40 mil profissionais são formados a cada ano e apenas 1% consegue emprego na área. No caso do curso de Magistério, cerca de 30 mil são formados e apenas cerca de 1.200 são empregados.
Os cursos de técnicos agrícolas também estão fora da realidade, conforme o coordenador do Proem: ‘‘Eles têm conteúdo de 25, 30 anos atrás, quando as práticas e inserção da agricultura no mercado eram inteiramente diferentes, para os pequenos agricultores’’. Atualmente, prossegue o coordenador, os técnicos agrícolas devem considerar que os pequenos produtores ‘‘precisam ser pequenos empreendedores.
Além do redirecionamento de currículos e cursos, que serão instituídos de acordo com as vocações regionais, o Proem, segundo Ferrazza, prioriza investimento na preparação e reciclagem do professor e na melhoria da gestão da escola, com o treinamento de diretores e auxiliares e participação efetiva da comunidade escolar.

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