Kraw PenasMaria Angélica, coordenadora do Centro de Epidemiologia: 60% dos casos de meningite meningocócica são fatais
30% dos casos não
são especificados,
o que dificulta
o tratamentoA Secretaria da Saúde do Paraná está tentando melhorar o diagnóstico da meningite no Estado e a capacitação dos profissionais da área, para ganhar pontos na luta contra a doença. Depois da epidemia de 1990, o Estado ainda não conseguiu baixar aos níveis anteriores a incidência de meningite, que era de dois casos para cada 100 mil habitantes em 1989 e hoje é de quatro casos por 100 mil.
Ontem cerca de 150 profissionais de saúde participaram em Curitiba de um curso de atualização sobre diagnóstico e tratamento da meningite. Segundo a coordenadora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Estadual da Saúde, Maria Angélica Curia Cerveira, o objetivo é se antecipar ao aumento no número de casos, comum no inverno. ‘‘É um alerta que pode salvar vidas’’, afirmou.
Uma das maiores preocupações é com o alto índice de meningites não especificadas, ou seja, aquelas que os profissionais de saúde não chegam a saber de que tipo são. Segundo Maria Angélica, no Paraná cerca de 30% das meningites não são especificadas. Isso dificulta o tratamento e pode ser fatal para o paciente.
Outro aspecto preocupante é a alta taxa de letalidade da meningite meningocócica: no Paraná, cerca de 60% das pessoas acometidas por essa doença morrem. Maria Angélica diz que, em muitos casos, a evolução da doença é tão rápida que não é possível tomar medidas para salvar o paciente. ‘‘Há casos de óbito em duas ou três horas’’, afirma.
Mas ela admite que parte da responsabilidade está no diagnóstico tardio e no despreparo de profissionais da área de saúde. Outro fator é a falta de esclarecimento da população sobre os sinais mais comuns da meningite: febre alta, vômito, dores na nuca e na cabeça e, às vezes, manchas vermelhas na pele. A orientação é que a pessoa procure o médico assim que aparecer qualquer sintoma.
No primeiro trimestre deste ano, um aumento no número de meningites na Região Metropolitana assustou a população e a Secretaria da Saúde. Mas Maria Angélica garante que a situação atípica foi superada e que o número de casos está dentro da média, que no Paraná é de 3 mil casos por ano.
Este ano, foram registrados até agora no Estado 777 casos de todos os tipos de meningite, com 220 mortes. Desses, 185 casos e 26 mortes foram causados pela meningite meningocócica. Até 1989, as meningites meningocócicas representavam apenas 5% do total de casos. Este ano, já são quase 24%.

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