A pequena Mariana Rodrigues vai lentamente separando as duas mãos para mostrar o tamanho do primeiro peixe que pescou. ''Era uma tilápia assim'', conta a menina enquanto espera alguém colocar uma isca no anzol. Ela e outros coleguinhas participaram na semana passada de uma prévia do I Curso de Pesca Educativa Infantil, que acontece a partir do dia 12, na Toca do Jacaré. A expectativa é reunir cerca de 200 crianças entre 5 e 14 anos. As turmas de 25 pequenos pescadores serão montadas de acordo com faixas etárias.
Idéia dos amigos Haroldo Ribeiro dos Santos, Moacir Ossamu e Tsukahara e Carlos Reinaldo Martins, o curso para pescadores mirins é uma iniciativa inédita no Sul do País. ''Só tivemos notícia de algo parecido no Amazonas'', explica Santos. ''Tínhamos a necessidade de fazer algo pela natureza e então pensamos nesse curso com palestras voltadas para a questão ambiental'', completa.
Com uma carga horária de seis horas divididas em dois dias , o curso irá mesclar aulas práticas e teóricas, intercaladas por sorteios de brindes. ''A cada dia serão duas horas práticas e uma hora de palestras'', diz Santos. No kit básico do pescador mirim, além da varinha de bambu e dos anzóis, também estão duas cartilhas produzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com orientações sobre legislação ambiental e os cuidados que eles devem ter não só consigo mesmos mas até com o tamanho dos peixes.
Quem já se arriscou na pescaria um dia, sabe que a paciência é mesmo a alma do negócio. E Moacir Tsukahara vai além e sentencia que ''o segredo do sucesso é o silêncio'', avisa. E lá existe criança quieta e paciente? Pelo menos durante a hora que a reportagem da Folha acompanhou os pescadores mirins todos ficaram concentradíssimos e silenciosos.
''Para as crianças, pedagogicamente falando, a pescaria envolve concentração, coordenação motora fina e noções de conceito e temporalidade, além de criar oportunidades que ela não tem no dia-a-dia'', afirma a pedagoga Eliana Nápoli, também diretora de uma das escolas parceiras do curso. ''Mesmo no período das férias, as crianças vão ter uma atividade prática com conteúdo que já vêm aprendendo em sala de aula, que é a questão ecológica'', completa Eliana.
Aos 22 anos, Leonardo Bosco se prepara para dar as primeiras aulas de pesca para crianças. ''Antes só ensinei uma priminha'', explica. Assim como seus futuros alunos, Bosco também foi para a beira do rio cedo. Aos seis anos o pai, que trabalha com consertos de molinetes, o levou pela primeira vez para pescar. O garoto logo se encantou com a pescaria e hoje é expert em iscas artificiais e afins.
''Já perdi as contas de quantos peixes pesquei'', avisa Matheus Brambilla Kozuki, 8 anos, que já incorporou o jeitão pescador de contar histórias. Ele também garante que entre os incontáveis peixes está um de 4,5 quilos. Com ares experientes, ainda ensina os coleguinhas ''massinha é ruim, o bom é ração''. Então para que fazer o curso? ''Ah, eu quero pescar mais uns peixinhos aí'', dispara sorridente.


Serviço: I Curso de Pesca Educativa Infantil De 12 a 15 de julho. Mais informações pelos telefones: (43) 3336-2197 e 3327-1858.

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