A Secretaria Estadual da Criança e Assuntos da Família quer mudar o perfil das entidades que congregam deficientes visuais no Paraná. O objetivo é eliminar o caráter de benemerência, incentivando-as a adotar modelos atualizados de gerência e buscar a auto-suficiência financeira. O primeiro passo nesse sentido está sendo dado com um curso de formação de dirigentes para organizações de cegos, que começou ontem e vai até o dia 21, em Curitiba.
O curso reúne 25 deficientes visuais, das regiões de Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, Maringá, Campo Mourão, Cascavel, Guarapuava, Umuarama e Ponta Grossa. As aulas estão sendo dadas por especialistas contratados pela secretaria. A técnica Vera Coelho, do Programa Estadual de Atenção à Pessoa Portadora de Deficiência, afirma que a maioria das organizações de cegos no Paraná depende de recursos oficiais ou filantrópicos. ‘‘A administração da maioria é amadora e pouco inteirada da realidade dos deficientes visuais e seu potencial’’, diz.
Segundo o psicólogo e consultor de empresas Amadeu Bernardino Nunes de Azevedo, o trabalho de preparo de dirigentes deve começar pelos jovens, para ‘‘mudar a mentalidade predominante, que ainda associa cegos a esmolas’’. O programa do curso inclui aulas sobre organização, educação especial, direitos, mercado de trabalho e controle financeiro, além de exemplos de organizações de cegos no mundo.
‘‘Quero sair daqui com conhecimentos para ampliar meu negócio e dar emprego a outros deficientes visuais’’, disse Maurício Pereira da Silva, de 36 anos, dono de uma microempresa que produz vassouras em Umuarama. As entidades que definirem atividades lucrativas poderão apresentar projetos à secretaria, cujo orçamento inclui verbas para compra de equipamentos.

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