A turma é numerosa, empolgada e atenciosa. Estão alí para se conhecerem, para conhecerem seus direitos e para ganhar confiança para se inserirem no contexto social, tanto nas relações interpessoais quanto no mercado de trabalho. Essa é a filosofia do curso implantado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) de Londrina e que conta com 40 alunos com deficiência. As aulas são ministradas pela presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos dos Portadores de Necessidades Especiais, Martinha Clarete Dutra, que é deficiente visual.
Ela explica que o curso aborda os princípios éticos e psicossociais do processo de inclusão, a importância da influência familiar, a legislação incluindo leis internacionais que ampara a pessoa com deficiência e as políticas públicas brasileiras voltadas para o deficiente. ''É preciso se valorizar como se é, saber que existem limitações e compreender isso para daí ser valorizado'', comenta a professora.
O curso começou na semana passada e deve ser encerrado em dezembro. São 40 alunos matriculados, sendo que a maioria tem pelo menos o primeiro grau completo. Como no grupo existem deficientes auditivos, as aulas também contam com duas tradutoras de Libras (linguagem de sinais). A coordenadora do projeto, professora Sônia Maria Mendes França, explica que numa segunda etapa a Unopar selecionará 20 alunos para trabalhar na instituição. Eles passarão por curso de capacitação e receberão treinamento específico para suas funções.
A aluna Milka Assunção, 21 anos, ficou paraplégica há cerca de um ano depois de sofrer um acidente de carro e ainda não sabe se vai conseguir uma colocação no mercado de trabalho. ''Tenho pouco tempo de lesão e ainda não enfiei a cara na sociedade para procurar emprego'', comenta. Ela diz que estudar com outros colegas que passam por situações semelhantes ajuda a superar os traumas. ''A deficiência está mais na cabeça. Não é fácil mas depende apenas de nós. Se a gente não se manifestar ninguém vai fazer isso por nós'', diz confiante, completando que pretende cursar Publicidade.
Vítima de uma trombose nas pernas que acabou em amputação quando tinha um ano, o supervisor de segurança patrimonial, Waldemir Antônio de Oliveira, 31 anos, procurou a Unopar para complementar conceitos que já tinha. Embora considere que as empresas hoje estão mais abertas ao deficiente, ele diz que ainda há muito a ser feito. ''As grandes empresas têm obrigação legal para empregar deficientes. Isso facilitou um pouco mais'', observa.

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