Seminário, ontem, em Londrina, reuniu quase 200 voluntários para se capacitar no trabalho de recuperação de dependentes químicos. A maioria dos participantes do evento, promovido pela Fundação Tamarozzi, era de pessoas que já passaram por dependência e se mantém em abstinência.
O objetivo, segundo a presidente da fundação, Marisa Menegazzo Tamarozzi, foi conscientizar os voluntários da necessidade de qualificação e preparação, física e mental, para acolher, orientar e estimular o usuário dependente químico a iniciar o tratamento de recuperação.
Com a palestra ''O cuidador também precisa ser cuidado'', o psiquiatra Marcos Liboni, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), falou da importância do tratamento enfocar não só quem tem a dependência, mas também seus familiares.
Ele ressaltou que antes mesmo da manifestação do vício há mecanismos psíquicos e emocionais nas relações, que também são parte do problema. ''E aí vira um círculo vicioso. É muito comum uma jovem casar com um alcoólatra, sendo que o pai foi um alcoólatra e ela já sofreu por isso'', explicou.
Segundo o psiquiatra, também é importante ficar claro que a dependência é uma doença. ''Pesquisas médicas já mostram o condicionamento biológico. O cérebro se identifica facilmente com estímulos que causam prazer e acaba se condicionando bioquimicamente'', explica. Por isso, para ele, o enfoque deveria ser maior nas políticas de prevenção, e cada vez mais precoce. ''Todos já experimentamos algum tipo de angústia, sofrimento e dores muito intensos. O problema não é a droga, mas a pessoa'', avaliou.
Por causa da grande procura, outros encontros devem ser promovidos. Esses cuidadores atuarão na própria Fundação Tamarozzi e em outros 40 locais onde acontecem reuniões de grupos de apoio para dependentes. Já a abordagem deve acontecer no rotina diária do cuidador, na própria família, na vizinhança ou no local de trabalho.

mockup