Curso para profissionais de saúde visa controlar diabetes
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segunda-feira, 20 de outubro de 1997
Benê Bianchi Londrina 
Josoé de CarvalhoAlertaA endocrinologista Henriqueta de Almeida: Muitas pessoas são portadoras de diabetes mas não sabem As perspectivas mundiais sobre diabetes não são nada otimistas. Especialistas reunidos na última conferência sobre o assunto, realizada em julho, na Finlândia, prevêem que em 2025 o diabetes será a doença que mais irá matar no mundo. De acordo com as expectativas, serão 300 milhões de diabéticos, quase duas vezes e meia o número de doentes existentes hoje (140 milhões).
A constatação de que a doença está tomando proporções graves no planeta já havia sido feita entre a população americana alguns anos antes, fazendo surgir um curso dirigido a profissionais de saúde, com o objetivo de criar educadores em diabetes.
O curso chegou ao Brasil em 96. Numa primeira etapa, atingiu apenas grandes cidades e, numa segunda, cidades de porte médio. Nesta quinta-feira, será a vez dos profissionais de Londrina conhecerem o curso, desenvolvido pela Universidade de Harvard, em parceria com o Centro de Estudos em Diabetes Joslin, também americano. No Brasil, tem a parceria da Sociedade Brasileira de Diabetes e patrocínio das empresas Boehringer e Lilly.
Segundo a coordenadora do curso em Londrina, a médica endocrinologista Henriqueta de Almeida, é preciso reverter de alguma forma o quadro que se apresenta sobre a doença no mundo. A melhor maneira de fazer isso é a prevenção. Para termos uma prevenção eficiente, é preciso ter um bom controle do diabetes e, para isso, os profissionais de saúde têm que conhecer a doença.
Ela ressalta que no País - e Londrina não é exceção - são poucos os médicos especialistas para cuidar dos muitos doentes que já existem. No Brasil, são cerca de 2 mil endocrinologistas para 7 milhões de diabéticos. Londrina não possui um levantamento sobre a doença mas, seguindo orientação do censo demográfico, que prevê um índice de 7,6% de diabéticos entre a população adulta, a Cidade possui cerca de 35 mil doentes. E pouco mais de uma dúzia de especialistas para tratá-los.
A intenção do curso é formar médicos clínicos gerais, enfermeiros e nutricionistas para detectar a doença precocemente, e para que eles atendam os chamados diabéticos não complicados, deixando para os especialistas apenas os portadores de complicações, comenta a médica.
Ela cita como exemplo o trabalho dos enfermeiros que, no contato com o paciente, podem detectar que ele é portador da doença ainda em estágio prematuro. O profissional pode encaminhá-lo para o médico clínico geral, que fará o controle.
Para isso, no entanto, comenta Henriqueta de Almeida, os profissionais devem estar preparados e saber como detectar os primeiros sinais da doença - uma ferida que não se cura pode ser um indício. Muitas pessoas são portadoras de diabetes mas não sabem. Para se ter uma idéia, num levantamento recente foi constatado que 50% dos diabéticos que se submeteram ao exame não sabiam que tinham a doença, afirma a médica.
Além de preparar o profissional para fazer um diagnóstico precoce da doença, o curso que será ministrado em Londrina ainda tem como meta disseminar as questões da prevenção (boa alimentação, exercícios físicos) e prevenir, em quem já tem o diabetes constatado, as complicações denominadas secundárias, como o infarto do miocárdio e o derrame cerebral. Entre as consequências mais graves da doença constam ainda a cegueira, insuficiência renal e amputações.
Henriqueta de Almeida ressalta que o aumento do diabetes no mundo se dá em virtude das mudanças do estilo de vida e hábitos alimentares. Para prevenir o surgimento, é preciso manter o peso normal, fazer refeições equilibradas e manter o hábito de fazer exercícios físicos.
Serviço - O curso será ministrado no Hotel Crystal Palace (rua Quintino Bocaiúva, 15). As inscrições são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Mais informações pelo fone 371.2352.


