Durante anos os serviços de mototáxi e motofrete foram considerados ilegais, até que em 2009 a profissão foi regularizada através da Lei Federal 12.009. Entretanto, para exercer a atividade, quem efetua o transporte de passageiros e cargas teve que se adequar a diversas normas para garantir mais segurança aos passageiros e profissionais. Uma delas é um curso de especialização, que deve ser realizado até o dia 4 de agosto, conforme estabelece a Resolução 350 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A procura nas autoescolas, no entanto, ainda é pequena.
''Estamos orientando todos os profissionais a se adequarem à lei para garantir que o seu trabalho seja realizado com mais segurança. Além disso, os usuários terão mais confiança para contratar o serviço de uma pessoa capacitada e cadastrada junto ao Detran'', argumenta o secretário da Federação dos Trabalhadores com Transporte Rodoviários do Estado do Paraná (Fetropar), Agenor Pereira.
Porém, ele critica o valor cobrado pelos estabelecimentos. ''Em Curitiba estão cobrando entre R$ 300 e R$ 400 por três horas/aula, enquanto que o ideal seria a cobrança de R$ 120'', argumenta Pereira, informando que no Paraná são 12 mil mototaxistas e motofretistas. ''Apenas cerca de 20% deles trabalham de forma regular. Essa porcentagem deve aumentar nos próximos meses'', destacou, apostando que a regulamentação da categoria deve ajudar milhares de profissionais a sair da clandestinidade. No Brasil são cerca de quatro milhões de profissionais que atuam no setor, segundo estimativa da Associação Brasileira de Motociclistas.
Treinamento
Diversas autoescolas foram credenciadas pelo Detran para oferecerem o curso de especialização. No entanto, a procura dos mototaxista e motofretistas pelo treinamento ainda tem sido pequena, conforme alguns estabelecimentos ouvidos pela FOLHA.
''Logo que a lei que exige o curso foi aprovada conseguimos formar três turmas com 20 alunos cada. Entretanto, depois que o prazo para a realização das aulas foi prorrogado até agosto não tivemos mais interessados no treinamento'', diz o Sandro Santana, gerente da Auto Escola Santana, em Londrina.
Em Maringá (Noroeste), estima-se que existam cerca de 500 profissionais atuando como mototaxista e motofretista. Porém até a última segunda-feira, dia 9, apenas um havia apresentado o certificado de conclusão do curso de especialização. ''Devido à prorrogação do prazo pelo Contran, não temos como exigir a formação antes do dia 4 de agosto'', afirmou o gerente municipal de Concessões de Trânsito, José Maria Bernardelli.
Técnicas
Em Arapongas (Norte), apenas 15 mototaxistas realizaram o curso. ''A procura ainda é pequena. Porém, os profissionais que trabalham como moto precisam se conscientizar de que mesmo tendo conhecimento prático, é imprescindível se reciclar e aprender novas técnicas'', enfatizou o diretor da Auto-Escola Autotran, Aroldo César Pagan.
A preocupação com motociclistas é constante na cidade. ''No ano passado, registramos 16 mortes no trânsito. Deste total, 14 envolveram motociclistas'', afirmou o diretor de Trânsito de Arapongas, major Sérgio Dalben. Ele estima que cerca de 150 mototaxistas e motofretistas atuem no município. ''Deste total, temos cadastrados regularmente 70 profissionais, mas poucos fizeram o curso, pois ainda estão dentro do prazo concedido pelo Contran'', diz.
A reportagem tentou levantar dados sobre o número de mototaxistas regularizados que atuam em Londrina, porém a assessoria de imprensa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina informou que o diretor de Trânsito do órgão está em férias e somente ele poderia repassar as informações.

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