Curso orienta sobre educação sexual
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sábado, 04 de dezembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
''Estávamos no meio de uma aula de matemática, estudando a teoria de Pitágoras, quando um dos alunos perguntou se o filósofo era mesmo gay, como dizem que os gregos eram na antiguidade. A professora ficou ofendida e gritou, falando que aquele assunto não tinha nada a ver com a aula. Foi muito constrangedor, porque sabíamos que tínhamos colegas gays entre a gente.''
A situação descrita acima foi lembrada por uma ex-aluna de um colégio estadual de Londrina, que preferiu não se identificar. E tanto a curiosidade do aluno quanto a exigência da adolescente de não ter o nome divulgado, expõem um tabu que permanece forte na relação entre jovens e adultos: a discussão sobre sexualidade.
Antes de culpar o aluno pela curiosidade ''fora de hora'', é possível identificar entre os professores da rede pública de ensino o despreparo para lidar com casos como este. Foi pensando neste problema que a doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mary Neide Figueiró, decidiu criar, em 1995, um projeto de extensão denominado ''Assessoria para Educadores Sexuais''. ''Nesta época, percebi que os professores, de forma geral, não estavam preparados para lidar com estes assuntos. Os cursos oferecidos abordavam o tema somente de forma pontual, sem continuidade'', afirma a professora.
O projeto foi desenvolvido com o apoio de alunos do curso de psicologia da UEL e, segundo a professora, tinha como objetivo preencher uma lacuna na grade curricular das escolas da rede pública. ''Sexualidade, assim como ética e saúde, foram estabelecidos pelo Ministério da Educação como alguns dos temas que devem transpassar todas as disciplinas de um currículo escolar'', explica Mary Neide. ''Por isso, os professores devem estar preparados para falar sobre tais assuntos a qualquer momento, e não somente nas aulas sobre educação sexual'', continuou.
De forma dinâmica e interativa, os grupos de estudo, compostos por professores, assistentes sociais e pedagogos, passaram a discutir assuntos do cotidiano dos jovens, como homosexualidade, violência doméstica e sexo na adolescência. ''O sucesso do projeto foi grande e, depois que ele terminou, três anos depois, decidimos dar continuidade ao trabalho, criando o Grupo de Estudos de Educação Sexual (Gees), que já está na sua 7 edição'', conta a professora.
Contando casos, discutindo problemas e trocando informações, os profissionais que participam dos grupos aprendem sobre o tema e derrubam preconceitos, barreiras que dificultam a comunicação com os alunos na hora em que surgem as dúvidas. ''Tentamos colaborar com a formação do perfil dos educadores, oferecendo-lhes um entendimento integral sobre o tema. É importante mostrar aos alunos os perigos das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e a importância do uso da camisinha, mas não são só estes temas que devem se discutidos em uma aula de educação sexual. A realidade é outra'', teoriza a professora.


