Curso não reconhecido prejudica desempregado
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segunda-feira, 08 de junho de 1998
Lúcio Horta 
Ex-funcionário da Plenogás e desempregado desde janeiro, Rui Cézar Gardin, 29 anos, viu a oportunidade de emprego desaparecer por conta de uma observação no certificado de conclusão de ensino do 1º grau. O curso que ele fez, embora em escola estadual, ainda não foi reconhecido pelo Conselho Estadual de Educação. A empresa em que ele pleiteava o emprego - uma indústria de refrigerantes de Cambé - exige diploma de 1º grau para o cargo e não aceitou o certificado de uma escola não reconhecida.
Rui Gardin conta que cursou parte do supletivo - referentes a 6ª e 8ª séries - de fevereiro de 96 a julho de 97 no supletivo da Escola Estadual Professora Rina Maria de Jesus Francovig, no jardim Santa Joana, zona sul de Londrina. Depois de concluído o curso, recebeu o certificado, onde constava que o processo de reconhecimento da escola pelo Conselho Estadual ainda estava em trâmite.
O ex-aluno não percebeu o detalhe e também não imaginou que isso poderia lhe causar problemas. A má notícia veio depois que já tinha feito os exames médicos na empresa e o emprego, de ajudante de entrega, já estava praticamente garantido. Ele procurou novamente a escola e o Núcleo Regional de Educação, que lhe forneceram uma declaração.
O documento, assinado pelo diretor da escola, Cícero da Silva, e pela coordenadora do setor de estrutura e funcionamento do Núcleo Regional, Maria do Carmo Landin, reafirmava que Rui Gardin havia concluído o 6º período do Ensino Supletivo de 1º Grau - que equivale à 8ª série do 1º grau regular -, com direto a matricular-se na 1ª série do 2º Grau. Em seguida, a declaração informa que o processo de reconhecimento do curso ainda está tramitando.
Mesmo com a declaração, diz Gardin, a empresa se negou a fechar o contrato de trabalho enquanto o registro do Conselho Estadual não constasse no certificado de conclusão. A funcionária disse que se a escola for reconhecida, o serviço é meu. Mas o certificado não vale nada, reclamou.
Rui Gardin é casado e a esposa espera o primeiro filho. Morador do Parque Ouro Branco (zona sul), ele está vivendo com o dinheiro do seguro-desemprego e também trabalhando como mototaxista. O emprego está fazendo muita falta. Na empresa eu teria, por exemplo, um plano de saúde.
Maria do Carmo Landin, do Núcleo Regional de Ensino, definiu como exagerada a atitude da empresa em não aceitar o certificado de Rui Gardin. Ela explica que a escola Rina Francovig teve autorização da própria Secretaria de Educação para funcionar. O reconhecimento do Conselho Estadual só não veio porque a escola ainda não cumpriu alguns requisitos mínimos exigidos - como funcionar em prédio próprio, por exemplo. Atualmente, a escola está instalada em um prédio da prefeitura, onde durante o dia funciona uma escola municipal.
Mas nada disso impede que a empresa aceite o certificado. O curso é reconhecido em qualquer lugar do País, garante. Maria do Carmo diz, por exemplo, que alunos na mesma situação são matriculados sem problemas tanto em escolas de 2º grau como também em universidades. Ela diz também que concursos da Copel, Receita Federal, Polícia Federal, entre outros, aceitaram inscrições e contração de alunos que cursaram escolas. Ela acredita que a empresa ou a funcionária responsável pela seleção de pessoal esteja equivocada sobre a validade do certificado do ex-aluno.


