Curso muda avaliação do aprendizado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de julho de 1997
Luka Morais 
Londrina
Professores das redes municipal e estadual e da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estão revendo as formas de avaliação do rendimento escolar e da dificuldade de aprendizagem.
Dorico da SilvaAvaliaçãoA coordenadora Georfrávia Montoza: formação de massa críticaO grupo, formado por 25 professores, iniciou na semana passada o curso de Especialização em Avaliação Educacional, promovido pelo Departamento de Educação da UEL. Com 360 horas/aula, a especialização termina em julho de 1998. Queremos formar uma massa crítica na área de avaliação, que está muito defasada, diz a coordenadora do curso, professora Georfrávia Alvarenga Montoza.
Patrocinado pela Fundação Ford, que repassou os recursos através do Núcleo de Avaliação Educacional da UEL, também presidido pela professora Montoza, o curso pretende tratar a avaliação do rendimento escolar dos alunos de forma mais técnica. Para que as pessoas saibam, no mínimo, como elaborar um prova, diz a coordenadora.
Georfrávia Montoza entende que o processo de avaliação precisa sofrer uma mudança profunda, deixando de ter o aspecto punitivo e de demonstração de poder. Muitos professores ameaçam os alunos dizendo que vão castigar na hora da prova, diz a coordenadora. A avaliação tem que ter outra conotação: avaliar para melhorar.
Nesse aspecto, conforme entende Georfrávia Montoza, a avaliação deixa de ter o aluno como foco principal, voltando-se mais para o professor. O questionamento, portanto, deve ser feito em relação ao processo de transmissão do conhecimento aos alunos e até mesmo às falhas na elaboração das provas. Por que o aluno errou tal questão? Por que não aprendeu? É preciso detectar as falhas para poder melhorar o ensino.
A revisão e mudança da metodologia empregada pelos professores na avaliação da aprendizagem não deve encontrar barreiras, segundo análise de Montoza. Ela cita como exemplo casos, cada vez mais comuns, de universitários que recorrem à Justiça para resolver problemas relacionados à avaliação. Boa parte dos professores, até mesmo pela falta de formação, não consegue fazer uma avaliação adequada dos alunos, afirma a coordenadora do curso.
Para ela, o Exame Nacional de Cursos, o provão do Ministério da Educação - apesar de ser uma iniciativa criticada e criticável, serve para avaliar o tipo de profissional que será colocado no mercado de trabalho. Serve, de alguma forma, para se tocar em pontos cruciais, como a qualidade do ensino que está sendo ofertado, diz Georfrávia Montoza.


