Curso leva grupo a uma viagem até a idade intra-uterina
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 1997
Lucília Okamura Londrina 
Marina, 21 anos, tem a sensação de estar apertada no ventre de sua mãe, quando ela estava no sétimo mês de gravidez; Roberto, 34 anos, diz ver a sua mãe sovando pão em um certo dia do quinto mês de gestação. Já Alessandra, 18 anos, revela estar se sentindo bem na sua vida intra-uterina, enquanto Guilherme, 16 anos, afirma que quando sua mãe estava grávida de um mês já tinha certeza que esperava um filho.
Estas sensações foram descritas durante uma demonstração de regressão de idade que o professor de Parapsicologia Fauze Kfouri fez durante um curso ministrado nesta semana, em Londrina. Absoluto silêncio. Podem fechar os olhos e concentrem-se, ordena. Desta forma, ele inicia a demonstração, induzindo as quatro pessoas a atingir uma fase de concentração bastante profunda.
Falando pausadamente, ora em voz alta, ora quase sussurrando, Fause Kfouri repete várias vezes as mesmas frases. Quando eu contar até três, todos passarão da fase média de concentração até a fase profunda, ordena. Durante mais de uma hora, os quatro permanecem sentados, de olhos fechados e quase imóveis.
Quando questionados, os participantes da demonstração narram fatos que dizem ter presenciado (ou que imaginam ter vivido) nos primeiros anos de suas vidas e até durante a fase intra-uterina. Casos engraçados são intercalados com relatos de problemas e até de histórias tristes durante a sessão de regressão, presenciada por uma platéia de cerca de 300 pessoas que fizeram o curso.
A voz dos quatro não se modifica durante toda a a demonstração. Eles estão vivendo hoje, vendo o próprio passado, portanto, vêem e falam com a cultura de hoje. Não estão com a idade em que estão se vendo, esclarece.
A regressão é feita em etapas. Os quatro começam falando o que estavam fazendo há um ano. Estava estudando, é noite e faz calor, responde Marina, ao ser questionada pelo professor. Guilherme diz se ver lendo um gibi.
Alguns minutos depois, as quatro pessoas voltam ainda mais para o passado, chegando à idade em que aprenderam a escrever. Alessandra se recorda que escreveu pela primeira vez o seu nome aos quatro anos de idade, incentivada pela avó. Ela vai até o quadro e escreve o seu nome devagar, como se estivesse mesmo aprendendo.
Mais concentração e nova regressão, desta vez até a idade de um ano. Estou na praia. Estou com medo das ondas, diz Marina, relutante. Já Guilherme lembra que é sua festa de aniversário e está vestido de marinheiro. Quando Fauze Kfouri pede aos quatro que ajam como se estivessem no ventre de suas mães, pouco antes de nascer, todos se contorcem e ficam encolhidos.
Falando sobre a vida intra-uterina, os quatro relatam que se sentem bem e dizem lembrar o que suas mães estavam fazendo naquele momento. Mamãe está almoçando, afirma Alessandra. Ao regredirem até um mês de gravidez, todos, com exceção de Guilherme, dizem que suas mães estavam desconfiadas da gravidez. Ela sabe que está grávida, observa Guilherme.
Durante a demonstração, enquanto o professor começa a explicar aos participantes do curso a importância da regressão, Alessandra começa a chorar. Ela cochicha algo no ouvido do professor, que prefere não revelar o que é por respeitar a intimidade dela. Eu vou tirar o trauma da memória dela, afirma, passando a mão na cabeça de Alessandra e dizendo que ela se sentirá bem melhor. Este fato não vai te perturbar nem agora nem nunca mais, fala.
Depois de fazê-los regredir até a vida intra-uterina, Fauze Kfouri começa a comandar a fase da subida. Primeiro, as quatro pessoas estão no primeiro mês de gestação, sobem para o quinto mês, sétimo, até chegar à data do nascimento. Alessandra diz se lembrar que antes de lhe colocarem no colo da mãe, dão uma palmada no seu bumbum. Guilherme fala que se lembra do banho e afirma ter gostado porque estava quente.
Ao final da demonstração, antes de tirá-los da concentração profunda, Fauze Kfouri pergunta se alguém quer contar sobre algum problema. Alessandra revela que a mãe morreu no dia de seu nascimento. Toda vez que ocorre uma morte, é preciso ter sentimento, mas não trauma, ensina. Novamente, ele coloca a mão sobre a sua cabeça e diz para ela se condicionar a superar o trauma.
Fauze Kfouri conta até três e pede que os quatro participantes saiam da concentração e abram os olhos. À platéia, o professor pede que batam palmas e agradece a participação de todos, principalmente dos quatro.


