Curso incentiva a polícia comunitária
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Nos próximos cinco meses policiais militares, rodoviários, ambientais, bombeiros, policiais civis, agentes penitenciários e agentes educacionais vão participar de um treinamento buscando a melhoria da relação com a comunidade. O curso, chamado de Especialização em Polícia Comunitária, está sendo realizado no auditório do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), e o primeiro grupo de 30 profissionais começou a ter aulas ontem. Segundo o coordenador do projeto e relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente Ricardo Eguedis, a iniciativa segue orientações teórico-metodológicas da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
As aulas, em alguns momentos, funcionam como um bate-papo com os policiais, estimulando-os a falar sobre as dificuldades do dia-a-dia da profissão, numa espécie de desabafo. ''Sabemos que as dificuldades são muitas, mas será que não podemos colaborar para melhorar o que está errado?'', questionou o tenente, lembrando dos direitos e também dos deveres dos policiais. ''Temos uma responsabilidade muito grande porque a sociedade se espelha em nós.''
Segundo Eguedis, países desenvolvidos como Japão e Estados Unidos já perceberam que não adianta apenas ter um grande aparato humano e tecnológico se não houver integração com a comunidade. ''Não se trata de dividir a responsabilidade com a comunidade, mas de somar esforços'', definiu. De acordo com o militar, o trabalho da polícia tem que ser menos superficial. ''Não dá para fazer como o bom-bril, que apenas tira a casca, e depois volta a oxidar. Precisamos de um trabalho mais intenso, com mais qualificação. Como qualquer profissional hoje em dia, o policial não pode continuar trabalhando da mesma maneira que trabalhava no passado.''
Policiais como o soldado Edson Marques dos Santos, que atua no Projeto Povo, estão comemorando a iniciativa. ''Tudo o que é aprendizado é importante. É uma forma de nos desligarmos um pouco da rotina da rua e refletirmos sobre nosso trabalho. Sempre achei que na polícia tínhamos que ter mais cursos de qualificação'', argumentou.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da Zona Oeste, Rubens Ferreira, disse esperar que o curso seja um começo do tão esperado trabalho conjunto com a comunidade. ''O novo comandante (tenente-coronel Joacyr José da Silva) ainda não chamou os conselhos para conversar. Não sabemos que tipo de trabalho ele pretende realizar, mas esperamos que esta idéia de policiamento comunitário dê certo. Estamos dispostos a ajudar, se for preciso.''


