ouco mais de um ano após ter sido implantado em Londrina, o projeto Telecursinho - um curso à distância gratuito preparatório para vestibular - acaba de conquistar novas terras. Idealizado pelo professor Célio Semprebom, que atua no setor de tecnologia educacional do Núcleo Regional de Educação, o projeto começou a funcionar, recentemente, em Brasília, além de já estar a todo vapor em outros 15 municípios paranaenses. Sob a coordenação da Universidade Aberta do Distrito Federal (UNAB/DF), o projeto foi colocado em prática em oito escolas.
O projeto foi apresentado no início do ano como monografia do curso de pós-gradução em educação à distância feita pelo professor Semprebom, na Universidade de Brasília (UnB). E despertou interesse: a UnB repassou o projeto para a Universidade Aberta do Distrito Federal que, junto com a Divisão do Ensino Médio da Fundação Educacional do DF, coordena a fase experimental dos telepostos. Lá, o acompanhamento dos alunos é feito por estagiários das universidades.
Todo conteúdo de preparação ao vestibular é transmitido através de fitas de vídeo e apostilas. O funcionamento é simples: o material é exibido, em geral, três vezes por semana, tendo acompanhamento de um monitor, e é discutido posteriormente. Em algumas cidades, os alunos com maior conhecimento em determinados assuntos ajudam, após as aulas, os que têm dificuldade nas matérias. Em outros, como em Marechal Cândido Rondon, a prefeitura decidiu investir e destinou professores da rede para o monitoramento. Em Porecatu, farmacêuticos e engenheiros contribuem com os alunos, esclarecendo dúvidas em algumas matérias.
O interesse pelo Telecursinho é grande, atesta Célio Semprebom, que no mês que vem estará em Curitiba, a pedido da Secretaria de Estado da Educação, para detalhar o projeto para todos os representantes de Núcleos de Ensino do Estado. ‘‘Quanto mais telepostos tivermos, melhor’’, comenta o professor. Ele acredita que muitos não teriam acesso a esse tipo de preparação se o Estado não tomasse uma iniciativa. ‘‘O percentual de alunos da rede pública que se dispõe a fazer um vestibular é pequeno. Mas se tiverem acesso ao cursinho gratuito, muitos certamente vão se interessar.’’
Semprebom cita o exemplo de um grupo que fez Telecursinho em Alvorada do Sul e que não tinha como pagar a taxa do vestibular da UEL. Fizeram uma promoção para custear a despesa. ‘‘Venderam pizza, fizeram o vestibular e boa parte da turma foi aprovada’’, lembra Semprebom.
O desejo de fazer com que alunos da rede pública tivessem acesso às universidades tomou conta do professor a partir da consolidação da gratuidade do ensino na Universidade de Londrina. Vendo a desproporção entre os alunos da rede pública, preparados para o mundo do trabalho, em relação aos estudantes das escolas particulares, direcionados ao vestibular, o professor tentou na época garantir a reserva de 70% das vagas para aqueles que fizeram o 2º grau nas escolas públicas.
Ao constatar que se tratava de algo inconstitucional, buscou um novo caminho: fazer com que o vestibular fosse elaborado com base no currículo da escola pública. ‘‘Isso colocaria os alunos em condições de igualdade com os da rede particular.’’ Em vão. Surgiu, então, a idéia do projeto do Telecursinho ou cursinho via TV e vídeo. Foram dois anos gravando programas da TV Cultura com a intenção de permitir o acesso dos alunos da rede pública a um cursinho gratuito.
Para completar o material, Semprebom decidiu ir atrás de parcerias. A Casas Pernambucanas investiu no projeto e adquiriu quatro coleções de fitas com um total de 720 aulas produzidas pela Fundação Padre Anchieta com material, segundo destaca, das melhores universidades de São Paulo. Foram montados os telepostos e designados monitores. Para demonstrar a qualidade do material, Célio Semprebom afirma que dos conteúdos de gramática, redação, geografia e história estudados no Telecursinho, 100% caíram no vestibular de janeiro da UEL. Da parte de física, química, matemática, biologia e inglês foram 70%.
O resultado do Telecursinho, observa o idealizador, pode ser avaliado ainda através de levantamento feito pelo Núcleo Regional de Educação, nos seis primeiros municípios a implantarem o projeto. Nos anos anteriores, compara Semprebom, a média de aprovados no vestibular era de 90 alunos. ‘‘Já na primeira chamada da UEL tivemos um total de 320 aprovados nesses seis municípios’’, afirma. Isso sem contar mais de 500 alunos aprovados em outras instituições.
Em Londrina, o Telecursinho funciona no Centro de Estudos Supletivos (CES) e em uma sala da Casas Pernambucas do Catuaí Shopping Center. O cursinho é gratuito e, em geral, dado de abril a outubro, com reforço no final do ano. O material é remetido pelo Núcleo de Educação. ‘‘Filho de pai rico estuda a vida inteira em escola particular e na hora do vestibular ocupa o lugar nas universidades gratuitas. Estamos, com o Telecursinho, dando uma oportunidade para quem não nasceu rico.’’

mockup