Os cursinhos particulares não são os únicos que comemoram o bom desempenho dos alunos nos vestibulares das instituições de ensino superior. Os coordenadores do Curso Especial Pré-Vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) festejam a aprovação de 32 dos 80 alunos que concluíram o curso, neste último semestre. O projeto de preparação para o vestibular, implantado pela UEL, é dirigido a estudantes que não podem pagar as mensalidades de colégios particulares.
O coordenador administrativo do projeto, Leandro Henrique Magalhães, diz que o número de aprovados superou a expectativa. Principalmente porque, com a segunda convocação da UEL, o índice deve subir ainda mais. Ele lembra que a maioria dos aprovados da última turma do cursinho entrou na própria Universidade Estadual de Londrina (24). Mas há também dois aprovados nos cursos de Desenho Industrial e Medicina Veterinária da Universidade Norte do Paraná (Unopar), uma aprovada no curso de Enfermagem do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), um aprovado no curso de Direito em Presidente Prudente (SP), dois aprovados em Letras e Geografia, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafi) de Cornélio Procópio, e mais um aprovado no curso de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
A maioria dos aprovados, ressalta o coordenador, optou por cursos da área de Ciências Humanas, principalmente História e Letras. Leandro Magalhães espera que após a segunda chamada o cursinho chegue à marca de 100 aprovados, incluindo todas as turmas - o projeto começou em julho de 96.
Para ser incluídos no restrito grupo de alunos do curso pré-vestibular da UEL, os candidatos passam por uma verdadeira prova de resistência, reconhece o coordenador. Primeiro é preciso se inscrever no Núcleo de Bem-Estar Social (Nubec), comprovar renda familiar de R$ 300 e provar que nunca tenha estudado em escola particular. Depois de preencher os formulários, é necessário passar por um teste. Só os 150 primeiros colocados poderão frequentar as aulas, que acontecem todos os dias da semana. De segunda a sexta-feira (manhã), sábado (tarde) e domingo (manhã).
Essa característica de cursinho ‘‘puxado’’ seria responsável pela grande evasão do projeto. Dos 150 alunos que entraram na última turma, só 80 concluíram o curso (53%).
As aulas do próximo semestre começam no dia 17 de fevereiro. E as provas eliminatórias serão nos dias 14 e 15 de fevereiro, no Centro de Ciências Humanas (CCH). Dos mais de 1.000 candidatos que retiraram a ficha de inscrição, 600 voltaram para se inscrever e prestarão os testes.
Para não perder a vaga no cursinho da UEL, os alunos só podem ter três faltas no mês. As aulas são gratuitas e os estudantes pagam o custo da apostila, que é adquirida de um cursinho particular em Curitiba. Durante o semestre são utilizadas quatro apostilas e cada uma custa R$ 30.
As aulas são ministradas por 30 instrutores, alunos de diversos cursos de graduação da Universidade Estadual de Londrina. Cada um recebe bolsa de R$ 150 mensais, paga pela própria UEL. Eles dão duas aulas por semana e ainda cumprem um período de permanência, para preparação de aula, de simulados e plantões ‘‘tira-dúvidas’’. Para o próximo semestre há um projeto para cada instrutor ser também tutor de um grupo de alunos. Assim, eles esperam dar um apoio emocional maior aos estudantes e tentar conter a evasão.
Os alunos do curso preparatório ainda recebem um jornal, produzido pela assessoria de comunicação do projeto. Trata-se do Diário de Bordo, feito pelo aluno de Comunicação Lucas Vieira Araújo, que traz notícias sobre vestibulares.

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