Quarenta e um agentes de unidades penitenciárias de Curitiba e Região Metropolitana estão se preparando para atuar em momentos de crise na Penitenciária Central do Estado (PCE), Penitenciária Feminina, Complexo Médico Penal, Colônia Penal Agrícola, Penitenciária Provisória de Curitiba (PCC) e Centro de Observação e Triagem (COT). Eles deverão receber 320 horas/aula em três etapas diferenciadas e estarão formados no final do ano. A intenção é criar um grupo especializado no gerenciamento de situações de crise, isolamento de locais de conflito, defesa pessoal, revista e abordagem de presos.
A primeira etapa começou ontem e está sendo ministrada pelo tenente Roberto Sampaio Araújo, negociador da Tropa de Choque da Polícia Militar. Ele já participou de várias negociações em momentos de crise. ‘‘Os agentes conseguem identificar antecipadamente os momentos de crise, a insatisfação dos detentos. Eles aprenderão a separar as alas tumultuadas e conter a rebelião com barreiras físicas. A crise não ocorre de repente’’, diagnosticou o tenente.
Além do gerenciamento de crises, os agentes terão aulas de prática de abordagem e estudo de casos, negociação, prática de tiro, primeiros socorros, explosivos e agentes químicos, apresentações de cães e combate a incêndios. ‘‘São noções importantes que poderão ser aprimoradas com as situações reais de motim e rebelião’’, salientou.
Os agentes penitenciários foram escolhidos para formar o grupo especializado por causa das notas obtidas na Escola Penitenciária. É o caso do agente Gláucio Borba, de 37 anos, que trabalha na área há 14 anos. Ele disse que a categoria estava esquecida. ‘‘O problema estava cada vez mais grave: os presídios estão superlotados, a criminalidade cada vez maior e o pessoal das unidades sem qualquer tipo de reciclagem’’, argumentou.
O agente José dos Santos Filho, 37, trabalha atualmente na PCC. Há seis anos na profissão, ele acredita que agora esteja se preparando para permanecer numa unidade penintenciária sem ter tantos receios. ‘‘Eu vivi uma rebelião no ano passado. É um momento de tensão absoluta. Hoje não sabemos como lidar com estes momentos’’, salientou.
Elói Vieira Sepúlveda, 40, chegou a ficar por 15 minutos como refém na última rebelião na Penitenciária Provisória de Curitiba. Ele conseguiu fugir dos presos, quando outro agente estava sendo feito refém. ‘‘Foi uma situação de pânico. Não tinha qualquer treinamento ou equipamento para passar por este tipo de situação. Não sabia como agir. Tive muita sorte’’, relembra.
Sem saber, a agente penitenciária Iracema Gomes de Paula, 42, agiu de forma correta no motim que vivem na Penitenciária Feminina, no ano passado. Ao perceber a tentativa de rebelião, ela trancou as portas das alas e deixou as presas isoladas. ‘‘Agi por instinto. Agora saberei como agir com segurança’’, afirmou, ao contar que viveu dias de muito medo e insegurança na unidade.
A próxima etapa do curso será com especialistas da Polícia Federal. O mesmo curso deverá ser levado para Londrina e Maringá no próximo semestre.

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