Todos os anos pelo menos 300 mil brasileiros têm morte súbita. Se fosse tratado adequadamente, esse problema poderia ter números menores. Segundo especialistas, após a parada cardíaca, é que o paciente parece estar realmente morto, mas com o uso de equipamentos e de um treinamento certo a pessoa pode ser ressuscitado e ter boas chances de levar uma vida perfeitamente normal.
É visando essa espécie de sobrevida, que alguns profissionais estão sendo treinados para a situação emergencial. O projeto, que é feito em conjunto com a Sociedade Americana de Cardiologia, teve início em São Paulo, já passou pelo Rio de Janeiro e, finalmente chega ao Paraná. Ao todo, são 14 médicos e 28 alunos do Hospital Cajuru, que até amanhã estarão em Curitiba tendo contato com as mais modernas técnicas de ressuscitação.
A idéia é expandir essas informações também para a comunidade. ‘‘É o que nós chamados de triângulo de atendimento’’, explica o cardiologista responsável do Setor de Arritmias do Cajuru, José Carlos Moura. ‘‘Quem assiste a situação inicia o atendimento, logo após pedir ajuda pelo telefone. Os paramédicos chegam e preparam o paciente para ser levado ao hospital. E lá, ele é finalmente atendido pelos médicos’’, explica.
Segundo o especialista, a cada minuto, são perdidos 10% de chance de se ressuscitar uma vítima de parada cardíaca. ‘‘O que nós procuramos com o treinamento é a agilidade e a eficiência’’, diz Moura. ‘‘E a grande vantagem é que se trata de um treinamento padronizado pela sociedade americana de cardiologia’’, comenta. Os passos são definidos e coordenados para ressuscitar o paciente, que geralmente está na sua fase mais produtiva da vida, ou seja, entre os 40 e os 60 anos de idade.
No Brasil, o número de mortes causadas por paradas cardíacas é bem maior do que o registrado nos acidentes de trânsito. Mas o problema é que o País ainda não tem organização suficiente para atedimento de ressuscitação. ‘‘O que justifica a nossa preocupação com a implantação do treinamento aqui’’, diz o cardiologista.
Além do treinamento, o projeto ainda pretende sensibilizar as autoridades da área da saúde para a instalação de equipamentos nas próprias comunidades. São os chamados desfibriladores, aparelho simples que funciona como um computador e que informa todos os passos que a pessoa deve adotar para reduzir os efeitos da parada cardíaca no paciente. Segundo Moura, a meta é de um dia espalhá-los pelas academias, escolas e estádios, previnindo assim um grande número de mortes, perfeitamente evitáveis.
Com a realização do curso em Curitiba estará sendo posicionada a pedra fundamental para a criação do primeiro núcleo de treinamento do Sul do País. Ainda não há previsões de quando têm início o treinamento com os voluntários das comunidades.Kraw PenasMédicos e estudantes do Hospital Cajuru aprendem técnicas americanas para reanimar pacientesVivian de Albuquerque

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