Curso ensina que solidão é positiva ao autoconhecimento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
Quando se fala em solidão, logo se pensa em carência afetiva, fracasso e frustração. Ninguém encara ou assume a situação com normalidade. O diretor do Instituto Bodhidharma, o filósofo Talal Husseini, afirma que, ao contrário do que as pessoas pensam, a solidão é positiva. Uma ótima oportunidade de autoconhecimento. A palavra vem do grego e significa carência - carência de nós mesmos.
O curso sobre solidão, que ocorre hoje e amanhã, na Associação Cultural Nova Acrópole, em Curitiba, mostra que a solidão é natural (nascemos e morremos sozinhos) e ensina como as pessoas devem lidar com ela. Husseini diz que, nessa situação, não adianta sair para tentar se distrair, atacar a geladeira como forma de compensação ou arranjar casamento. A solução é aproveitar o isolamento para se conhecer. Quando sabemos quem somos, não temos mais conflitos com os outros seres e encontramos a motivação, afirmou.
O autoconhecimento permite o bom convívio em sociedade. Por isso, o filósofo defende que não é ruim estar só por um tempo, sejam dias ou anos. As pessoas não precisam ficar deprimidas porque estão sozinhas.
Só com o isolamento, os problemas podem ser vistos com mais clareza, e então solucionados. Talvez esteja aí o medo da solidão. A solidão destaca nossas fraquezas. Faz aparecer carências, dificuldades de relacionamento afetivo e profissional, e a insatisfação com a vida, diz o filósofo Michel Isasa. Mesmo assim, seu conselho é encarar os problemas e sofrimentos para saber onde estão as falhas e, assim, viver melhor.


