Mais de 15 mil crianças carentes da região de Londrina serão beneficiadas com o curso de Saúde Bucal que está acontecendo desde segunda-feira na Associação Odontológica Norte do Paraná. Atendendo a um pedido dos coordenadores da Pastoral da Criança do Paraná, cerca de 120 líderes comunitários foram convidados a participar do evento e multiplicar seus conhecimentos.
Há cinco anos trabalhando na Pastoral em Londrina, Maria Brígida Sampaio de Souza, explica a importância desta capacitação. ''Nós temos um guia que fala sobre alguns cuidados básicos com gestantes, crianças e idosos. Mas, são cursos complementares como este que nos proporcionam maior conhecimento para orientar corretamente as pessoas'', declara.
Maria atua na Zona Leste, onde há muitas crianças carentes. ''Lá não temos favelas, mas muitas pessoas que foram beneficiadas pela Cohab (Companhia de Habitação de Londrina) precisam de nossa ajuda'', relata.
Dados de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que só na Arquidiocese de Londrina que compreende 16 municípios existem 27.343 crianças pobres ou que estão abaixo da linha de miséria.
Segundo o assessor técnico da Pastoral da Criança no Paraná, o dentista Eduardo Carlos de Peixoto Santos, os grupos da Igreja só ajudam 57% deste total, o equivalente a 15.469 crianças. Mesmo assim, as melhoras na saúde infantil já são visíveis. ''Começamos em Florestópolis, há mais de 20 anos, pois era a cidade com maior índice de mortalidade infantil do Estado. Hoje, essa realidade é bem diferente'', conta.
Durante o curso sobre saúde bucal, os líderes aprendem quais as doenças que afetam a boca, como cárie, câncer e problemas na gengiva, e como elas podem ser prejudiciais para a saúde de todo o corpo.
O curso também tem aspectos práticos.''Os participantes vão ensinar nas comunidades como fazer uma escovação correta e usar o fio dental para prevenir as doenças'', detalha a coordenadora do setor de Sa© úde Coletiva da Associação Odontológica, a dentista Cristiana Castello Branco Nascimento.
De acordo com a dentista, casos de câncer bucal podem ser evitados na maioria das vezes, exceto quando há predisposição genética. ''Hábitos como evitar o fumo já ajudam a prevenir'', diz. Ela também lembra que hábitos nocivos de baixa intensidade e de longa duração, como mordiscar a bochecha, podem resultar no desenvolvimento de células cancerígenas.
A dentista conta que a escolha de capacitar líderes foi melhor, pois eles já conhecem a comunidade onde vão atuar e terão mais facilidade para multiplicar seus conhecimentos. ''Tem casos de líderes de assentamentos, onde não há condições de comprar fio dental. Então eles aprendem que podem cortar saquinhos de leite em tiras finas e utilizar para limpar os dentes'', exemplifica Cristiana.
Além disso, os participantes devem aprender como uma boa alimentação pode evitar doenças bucais. ''Temos que ver a saúde como um todo, a higiene da boca pode afetar o corpo inteiro '', ressalta o dentista Santos. O curso ainda terá outros dois módulos, onde os participantes poderão aprender como cuidar da boca do bebê e da saúde bucal do idoso.

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