A ressuscitação de um paciente com parada cardíaca precisa ser feita nos primeiros cinco minutos e depende das pessoas que estiverem próximas. Essas pessoas são responsáveis por 75% da sobrevida dos pacientes cardíacos. As informações são do médico Manoel Canesin, de Londrina, que promoveu o curso Tempo é Vida, o primeiro da América do Sul sobre suporte de vida com novas orientações da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O curso fez parte da programação do 29º Congresso Paranaense e foi ministrado pelo médico Dario Fortes, membro do Fundo de Aperfeiçoamento de Pesquisas em Cardiologia (Funcor), de São Paulo.
O curso, oferecido a leigos e profissionais da área de saúde, ensinou como prestar atendimento a pacientes que sofrerem uma parada cardíaca. Segundo Ferreira, o maior erro na reanimação é a remoção da vítima. ‘‘Ela deve ser tratada no local. Removê-la exige tempo demais’’, explicou o médico. Segundo Fortes, o atendimento imediato garante a vida do indivíduo até a chegada da equipe do Siate. Antes de tudo, disse Fortes, é necessário identificar se a pessoa está sofrendo uma parada no coração. ‘‘Primeiro é preciso chamá-lo. Caso esteja mesmo inconsciente, a cabeça deve ser levantada para verificar se há respiração. Reparar no peito e encostar o ouvido próximo à boca do paciente para notar se há sinais de respiração também são passos importantes na ressuscitação’’, afirmou Fortes.
Prosseguindo o atendimento, disse Fortes, o paciente deve receber respiração boca a boca. Para saber se está dando resultado, é só observar se o peito do doente incha ou se ele tosse e se mexe. Conforme Fortes, a massagem com compressão toráxica também faz parte do atendimento. Entretanto, somente a massagem não basta. A eficácia depende de choques elétricos. ‘‘As pessoas treinadas devem usar um aparelho portátil que dá choques no peito do paciente, fazendo com que haja a reanimação’’, esclareceu. Quem fez o curso aprendeu a usar o aparelho, chamado de desfibrilador automático externo. O manuseio do aparelho, segundo Fortes, é simples. ‘‘A máquina literalmente fala e dá todas as intruções em português’’, disse o médico.
Todo o processo de ressuscitação, segundo Fortes, não pode levar mais do que cinco minutos. Ele lembrou que 52% dos pacientes com parada cardíaca morrem em uma hora. ‘‘Por isso o curso é fundamental’’, afirmou. Se o aprendizado é acessível, o mesmo não se pode dizer do aparelho desfibrilador. ‘‘Somente uma companhia aérea nacional tem esta máquina para vôos internacionais’’, informou o médico londrinense Manoel Canesin. Segundo ele, a meta é disponibilizar o desfibrilizador, que custa cerca de R$ 7 mil (sem taxas de importação), em todos os locais que tenham uma rotatividade de mil pessoas por ano, como condomínios, hotéis, shoppings, universidades, empresas públicas e privadas. Formar e capacitar os treinadores também faz parte do projeto do médico.
O objetivo de Canesin é tornar Londrina a capital brasileira contra a morte súbita. Para tanto, a mobilização da população e o apoio do governo estadual são relevantes, afirmou. A cidade já dispunha de 20 pessoas, de várias áreas, treinadas para socorrer os cardíacos. Hoje, mais 16 vão concluir o curso iniciado ontem, durante o congresso, totalizando assim 36 pessoas capacitadas.
Ainda conforme Canesin, que acompanhou o trabalho de atendimento a cardíacos em Seatle (EUA), no Brasil, de cada 100 pessoas que têm ataque cardíaco, somente duas conseguem sobreviver. Nos Estados Unidos, 60 são ressuscitadas.

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