A Central de Transplantes do Paraná recebeu, este ano, 279 notificações de pessoas com morte encefálica ou parada cardíaca, candidatas a serem doadoras de órgãos. Destas, 134, o correspondente a 48% do total, resultaram em doações. Órgãos das outras 145 pessoas (52%) não puderam ser doados por razões que vão desde a não permissão de parentes, parada cardíaca, não indicação médica ou detecção de doenças diversas. Apesar destes números estarem acima da média nacional, ainda estão longe de atender à lista de espera por órgãos cadastrada na Central.
Para discutir formas de aumentar a quantidade de doadores e agilizar os transplantes, profissionais de saúde de hospitais paranaenses credenciados para realizar transplantes estão participando, em Curitiba, de um curso de Formação de Coordenadores Hospitalares para Transplantes. O Paraná é o quinto Estado a receber o curso, organizado pelo Ministério da Saúde e com duração de quatro dias, ‘‘O objetivo é capacitar o pessoal dos hospitais para agilizar os transplantes, com informações que vão desde a detecção de potenciais doadores até o transplante em si’’, diz Ivana.
Segundo a cardiologista Tereza Miranda, coordenadora dos cursos pelo Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (MS), os transplantes ganharam bastante incentivo a partir de 1999, com a criação do Fundo de Estratégias pelo Ministério. Com o fundo, cada Estado passou a receber por procedimentos realizados. Tanto que os recursos do MS para transplantes saltaram de R$ 83 milhões em 1995 para R$ 170 milhões no ano passado. Para ela, o País já deu um salto nos transplantes com a criação destas instâncias nacional e estaduais, mas ainda é necessário criar melhores estruturas nos hospitais. ‘‘É por isso que estamos fazendo estes cursos de capacitação’’, diz.
Outro problema, para Tereza, ‘‘é cultural’’, já que cerca de 40% dos parentes de possíveis doadores não concordam com o processo. No Paraná, de acordo com a coordenadora da Central de Transplantes Ivana Kaminski, este número é menor. ‘‘As pessoas já estão se conscientizando da importância de serem doadoras’’, afirma.
A maioria dos transplantes no Paraná não é efetivada, segundo ela, por outros problemas, como a não indicação médica. Ela também não acredita que haja morosidade na retirada e transporte dos órgãos. ‘‘Um transplante tem que seguir um protocolo para garantir sua segurança, o qual exige uma série de exames e dura cerca de sete horas. O fato de perdermos doadores enquanto este protocolo é seguido faz parte do processo’’, diz, ressaltando que o tempo de vida de um coração após sua retirada, por exemplo, é de apenas quatro horas, e do fígado é de 13 horas.
‘‘Nosso maior problema é a falta de doadores’’, diz. Apesar dos baixos números, o Paraná ocupa o quarto lugar em captação e realização de transplantes no País. Desde a criação da Central, em 1996, até maio deste ano, foram realizados 2.112 transplantes de córnea, 437 de rim, 175 de fígado, 67 de coração e três de pâncreas, além de 183 de válvulas cardíacas. Também foram registrados 35 doadores de ossos. Neste caso, cada doador serve a vários pacientes. Em 2000, por exemplo, 11 doadores atenderam 191 pessoas.
A lista de espera, entretanto, é grande: 1.491 pessoas aguardam por um rim, 541 por córnea, 188 por fígado e 35 por coração. ‘‘A lista se mantém estável. Só cresce o número de pessoas que esperam pela doação de um rim’’, diz Ivana, esclarecendo que pacientes com insuficiência renal têm sobrevida maior já que podem recorrer à hemodiálise enquanto aguardam pela doação. ‘‘Já quem tem problema de coração ou fígado e não recebe transplante, acaba morrendo.’’

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