Curso devolve encostados à ativa
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Lucilia Okamura 
Milton DóriaMudança radicalRaimundo: agora, ex-soldador tenta a vida como cabeleireiroOsvaldo Raimundo Machado Filho, 33 anos, desliga-se ainda neste mês do Núcleo de Reabilitação Profissional de Londrina (NRP). Há cerca de um ano ele foi afastado do seu trabalho de soldador, em uma empresa de Rolândia, por estar com hérnia na coluna. No núcleo, recebeu treinamento para ser cabeleireiro, nova função que começa a exercer em breve.
O caso de Osvaldo Machado Filho é um dos 100 que estão sendo atualmente atendidos pelo NRP, um órgão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pouco conhecido pela população, apesar de existir desde 1990. O Núcleo atende casos encaminhados pelo setor de perícia médica do órgão. São segurados da Previdência Social que sofreram um acidente de trabalho ou uma doença, mas, ao invés de ser aposentados por invalidez, são levados para o Núcleo porque ainda têm capacidade de trabalhar, observa o chefe do NRP, Carlos Tadeu de Miranda.
As pessoas atendidas pelo Núcleo apresentam problemas variados, como lesões na coluna e no coração, mutilação de membros inferiores ou superiores e Lesão por Esforço Repetitivo (LER). A nossa principal dificuldade é quebrar a resistência das pessoas, já que a maioria delas vem desmotivada e querendo aposentadoria por invalidez, diz Miranda.
Milton DóriaNova opçãoTadeu Miranda, do INSS: Maioria só quer a aposentadoria
O segurado é submetido a uma avaliação pelo orientador profissional para verificar qual atividade poderá exercer. Depois, é matriculado em um curso ou treinamento em empresas particulares ou entidades, como o Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria (Senai) e Serviço Social do Comércio (Sesc). O objetivo é dar uma nova habilitação profissional, reinserindo a pessoa na mesma empresa onde trabalhava ou então em um outro local.
Segundo Tadeu de Miranda, desde 1990 o Núcleo já atendeu cerca de 1.750 casos. Mais de 40% dos segurados têm entre 21 e 30 anos. Além de treinamento, o Núcleo se encarrega também de fornecer instrumentos de trabalho, como carrinhos de cachorre-quente, equipamentos para cabeleireiro e ferramentas. Ele ressalta que não é obrigação do Núcleo conseguir um emprego ao segurado.
Enquanto é atendida pelo NRP, a pessoa fica encostada - recebe mensalmente um auxílio por doença acidente de trabalho. O prazo-limite para uma pessoa ficar sob os cuidados do Núcleo é de 240 dias. Em alguns casos, este prazo é prorrogado. Há casos de cursos que duram mais tempo, justifica.
O Núcleo faz uma pesquisa um e dois anos após o desligamento do pessoa para verificar se ela se adaptou ao novo trabalho. Tadeu de Miranda afirma que cerca de 70% das pessoas atendidas conseguem se readaptar e trabalham bem na nova atividade.
Na opinião de Tadeu de Miranda, a situação das pessoas reabilitadas poderia ser melhor se as empresas seguissem à risca a Lei 2.172, de março de 1997. Ele explica que o artigo 201 da lei obriga empresas com cem ou mais empregados a preencher de 2 a 5% de seu quadro com pessoas reabilitadas ou portadores de deficiência.
A equipe do NRP é formada por seis pessoas - um médico, três psicólogas, um agente administrado e um técnico em assuntos educacionais. O NRP funciona no mesmo prédio do INSS, na Rua João Cândido, área central. Tadeu de Miranda explica que o núcleo atende segurados de Londrina e de mais 80 municípios da região.
Para divulgar o trabalho do Núcleo, a equipe do NRP está organizando a Semana da Reabilitação Profissional, que será realizada de 4 a 8 de maio. Entre outras atividades, está prevista uma exposição de fotos de segurados sociais que foram atendidos pelo Núcleo e que hoje estão exercendo novas atividades.


