Curso de mecânica empolga mulheres
Paulo Pegoraro
Cascavel
Mulheres de Cascavel estão participando com grande motivação de um curso de mecânica, organizado pelo Serviço Nacional da Indústria (Senai). Elas literalmente estão colocando a mão na graxa porque atuam profissionalmente em atividades ligadas a automóveis, como despachantes e revenda de carros; ou são donas-de-casa que querem dominar conhecimentos básicos para dirigir seus carros sem ficarem na dependência dos maridos quando ocorrem pequenos problemas nos automóveis ou mesmo em situações de emergência.
Quinze das 60 vagas iniciais oferecidas pelo Senai foram preenchidas rapidamente, segundo a coordenadora pedagógica de cursos, Gláucia Rodrigues da Costa Reichert. Entre as participantes está Márcia Roseli de Carvalho Poliszuk, 30 anos, três filhos, dona-de-casa e auxiliar do marido, Milton Poliszuk, em seu escritório de advocacia. Márcia, que tem um Verona, conta que começou a se interessar em noções básicas de mecânica depois de problemas que enfrentou, principalmente em viagens.
Recentemente, ela estava em uma rodovia perto de Umuarama (Noroeste do Paraná), quando o carro ‘‘pifou’’. Sem saber o que fazer, acabou chamando um guincho para arrastar o automóvel. Na oficina, ficou sabendo que o problema estava apenas em uma vela (componente da parte elétrica que alimenta pistões do motor). Márcia poderia ter ‘‘apertado’’ a vela ou, se estivesse danificada, substituí-la por outra, que tinha disponível no porta-malas. ‘‘Teria evitado transtornos e ganho tempo e dinheiro’’, comenta.
Indecisão Márcia diz que quer ficar livre da dependência ‘‘de pedir socorro ao marido ou a alguém que esteja passando, até mesmo para uma simples troca de pneu’’. Ela observa que não basta à mulher aprender a dirigir, e que ela deve estar preparada ‘‘inclusive para a possibilidade de um acidente’’. Segundo Márcia, quando o acidente ocorre com outros carros, ‘‘a gente fica curioso ou então indeciso sobre o que fazer’’. No curso, as mulheres aprendem procedimentos imediatos em relação a acidentes e mesmo primeiros-socorros a feridos.
Josane Owsiany, 27 anos, solteira, que trabalha no setor de Assistência ao Cliente de uma revenda de carros, diz que faz o curso ‘‘porque interessa ao meu trabalho, mas também para o meu próprio dia-a-dia’’. Ela já entendia ‘‘um pouco’’ de mecânica, mas espera aprofundar conhecimentos. Nas primeiras lições, aprendeu bastante com policiais de Trânsito sobre a legislação, e com bombeiros sobre como agir ‘‘e inclusive o que não fazer de errado, o que é muito importante, quando tiver que prestar socorro a alguém’’.
Aprendendo tudo A coordenadora pedagógica do Senai, Gláucia Reichert, observa que as mulheres ‘‘necessariamente precisam aprender tudo’’, e, no caso da condução de carros, ‘‘inclusive para se contrapor ao mito de que mulher é incompetente e um perigo ao volante’’. As noções básicas de mecânica também podem eliminar ‘‘a dependência de ter que chamar o marido a qualquer problema’’. Gláucia Reichert relata que Cascavel é a primeira cidade do interior a realizar o curso, até aqui só organizado em Curitiba pelo próprio Senai.
O curso, sempre à noite, tem instrutores do próprio Senai, da PM e Bombeiros. Inicialmente, as participantes receberam informações sobre primeiros-socorros e legislação de trânsito. Agora, as mulheres têm aulas práticas e estão mesmo com a ‘‘mão na graxa’’, aprendendo como fazer reparos emergenciais ou trocar pneus. ‘‘Claro que não serão formadas mecânicas, mas mulheres que possam ser tão independentes conduzindo um carro quanto os homens que também não são mecânicos’’, completa Gláucia Reichert.

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