Picadinho, frango frito, ensopado, à passarinho, polenta e farofa. Desde a metade desse mês, as 147 presas da Penitenciária Feminina do Paraná, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, estão saindo dessa rotina servida no almoço e jantar, para comer pratos diferentes como o barreado, dobradinha, pernil e omelete, além de saladas, feijão e arroz -que não faltam nunca. É que desde o dia 18, um grupo de 14 presas participam de um curso de culinária, onde elas aprendem a usar a criatividade e inventar novas receitas, usando os mesmos mantimentos existentes na dispensa da prisão.
‘‘Eu já sabia fazer de tudo, mas aprendi muita coisa diferente’’, diz a chefe da cozinha do presídio, Maria Luiza de Souza, 46 anos, condenada há quatro anos por tráfico de drogas. Com pedido de condicional em andamento, ela já faz planos para não voltar a ser empregada doméstica quando sair da prisão. Outra que pretende seguir cozinheira é Maria Clara Campelo Silva, 34 anos, condenada por tráfico a 6 anos.
‘‘Nosso objetivo é capacitar o pessoal da cozinha, além de profissionalizar as presas para quando saírem daqui’’, diz a diretora da penitenciária Vera Lucia Silano Domingues dos Santos. Diariamente, são preparadas cerca de 500 refeições no almoço e jantar para as presas e funcionários do complexo penitenciário de Piraquara. Para as presas em geral, a maior vantagem do curso foi oferecer mais variedade na comida.
O cozinheiro Silvio de Souza, professor do Senac, chama suas aulas de ‘‘cozinha alternativa para grandes consumidores’’, pois ensina aliar economia com criatividade na preparação dos pratos. As presas tem uma vida sedentária na prisão ensinei como usar menos gordura nos pratos’’, diz.
A cada ano de curso as presas têm quatro anos de remissão penal. Os cursos são realizados com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em convênio com entidades como o Senac.

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