Desenvolver uma metodologia de ensino de Computação Gráfica para os portadores de deficiência auditiva, abrindo mais uma alternativa de profissionalização para eles. Esta é a proposta da Usina de Conhecimento de Londrina (zona norte) e da empresária Rosana de Cássia Ribeiro, sócia-proprietária da Serikraft Acrílico. O curso começou há menos de um mês com cinco alunos, mas já conta com uma fila de espera de 700 interessados.
‘‘A computação é uma área que se adapta bem ao potencial do deficiente auditivo porque exige muita concentração’’, garante Luiz Henrique Ribeiro Ramos, 29 anos, portador de deficiência física que está fazendo o curso. Ele explica que já trabalhou em vários locais, inclusive como digitador no Banco do Brasil, em regime de contratação provisória. ‘‘Existe muita discriminação. Os primeiros a perder o emprego somos nós’’, diz.
Paulo WolfgangRosana Ribeiro e Luiz
Ramos: aproveitando
potencial dos
deficientesA expectativa de Ramos é, com o curso em Computação Gráfica, conseguir o reconhecimento no mercado de trabalho.
O dinamizador de informática da Usina de Conhecimento, Rômulo Dias, confirma que os deficientes auditivos têm dom para a computação. ‘‘Eles começaram um mês depois que os alunos ouvintes e já estão no mesmo nível’’, compara. Para dar as aulas, Dias fez um curso dinâmico de linguagem de sinais (Libras- Linguagem Brasileira de Sinais). ‘‘É impressionante a capacidade de concentração e criatividade que eles têm. Eles transformam uma deficiência em uma alavanca para aprender mais rápido’’, diz. O curso tem duração de quatro meses.
O diretor de informação e comunicação da Usina de Conhecimento de Londrina, Alexandre Amâncio, explica que o curso é só o primeiro passo de um projeto voltado para o atendimento de portadores de deficiência. ‘‘Hoje não temos estrutura suficiente para atender mais que cinco deficientes auditivos por curso, mas estamos buscando parcerias para ampliar este trabalho’’, afirma. Apesar de contar com equipamentos de última geração, a instituição de Londrina conta apenas com cinco computadores.
A curto prazo, acrescenta Amâncio, o projeto prevê a formação de multiplicadores. ‘‘Eles vão se tornar profissionais na área e vão estar repassando o que aprenderam na comunidade e instituições com que mantêm ligação’’, esclarece. Paralelamente, ele vai gestionar junto a prefeitura que os equipamentos da Escola de Informática (15 computadores) possam servir também para cursos voltados aos portadores de deficiência.
O projeto vem de encontro a determinação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) que transformou a Libras em língua obrigatória no currículo dos professores que optarem por atuar com classes especiais. ‘‘Foi um grande avanço para o reconhecimento do direito a cidadania dos portadores de deficiência’’, diz. Antes os portadores de deficiência auditiva eram obrigados a saber a linguagem labial para poder acompanhar as aulas em escolas regulares.

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