Curso atrai estudantes da Argentina
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quarta-feira, 15 de outubro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Dorico da SilvaAula práticaEstudantes argentinos participam de atividades curriculares de Educação Física na Unopar: oportunidade para troca de informaçõesJovens, alegres, ansiosos por aprender e decididos a aproveitar o máximo possível a oportunidade de conhecer um novo sistema e uma nova metodologia de ensino. Este é o perfil dos 45 estudantes - 36 mulheres e nove homens - do curso de Educação Física do Instituto Superior General José de San Martin, de Rosário (Argentina). O grupo está em Londrina participando de intercâmbio cultural e científico com a Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Os estudantes chegaram na segunda-feira e até sábado vão acompanhar aulas, conhecendo o sistema de ensino e a estrutura curricular do curso de Educação Física. A programação foi elaborada pelos estudantes do 4º ano do curso na Unopar.
Dorico da SilvaMárcia, Estela e Miriam: integração entre os professores
À primeira vista, o que mais chama a atenção no grupo é a seriedade com que encaram a participação no intercâmbio. Entusiasmados com o direcionamento dado no Brasil ao curso, os estudantes destacam o sistema de estágio - novidade para eles. O estudante Leonardo Aragon, 22 anos, acredita que a metodologia de ensino brasileira dá mais liberdade de criação ao estudante e futuro profissional.
Estamos aqui para aprender. Conhecer o que tem de bom no curso oferecido no Brasil e, quem sabe, conseguir repetir a experiência no nosso país, resume Mariana Sensi, 25 anos. Ela trabalha na área e está cursando o último ano do curso. Para ela, o sistema de estágio adotado no Brasil dá mais tranquilidade para o aluno no primeiro contato com a profissão.
Na Argentina, o estudante vai para o estágio sem um preparo específico anterior. Ele aprende a ensinar dando aula para alunos da rede pública ou privada, assistido pelo professor do Instituto e pelo professor da escola. Aqui, o aluno começa a se preparar para o estágio já no primeiro ano e só vai para a prática quando está preparado.
A coordenadora do curso de Educação Física da Unopar, Márcia Dib, explica que na Argentina o curso só prepara os estudantes para lecionar em escolas. No Brasil, os estudantes podem optar pela licenciatura (ensino em escolas) ou bacharelado em Educação Física. No segundo caso, os profissionais podem atuar como técnicos em clubes, hotéis, etc. Esta abertura para a profissionalização é uma das coisas que mais interessa ao grupo, afirma Márcia Dib.
Dorico da SilvaMariana Sensi e Leonardo Aragon: disposição para aprender
Mas as diferenças não estão apenas na grade curricular. Na Argentina, o curso é misto apenas no primeiro ano. Depois o curso prossegue dividido em turmas masculinas e femininas. As matérias também são diferentes: os homens não têm aulas sobre ginástica e as mulheres não têm aulas sobre futebol. Em Londrina, os estudantes argentinos tiveram seu primeiro contato com aulas de karatê, disciplina que não faz parte do curso na Argentina.
A professora de Ginástica Rítmica Desportiva (GRD) do Instituto San Martin e juíza internacional de GRD, Estela Sanchez, conta que a idéia do intercâmbio nasceu em 1984. Ela e a professora Mirian de Bordesio acompanham o grupo de estudantes. Participando de vários eventos internacionais da categoria, Estela diz ter tido a oportunidade de conhecer o sistema de ensino brasileiro. Desde então venho lutando para estabelecer o intercâmbio entre Londrina e Rosário.
A vinda do grupo de estudantes argentinos foi o primeiro passo do intercâmbio que Unopar e Instituto San Martin pretendem manter e aprimorar. No início do primeiro semestre de 98 será a vez de o grupo brasileiro ir a Rosário, conhecer o sistema de ensino da Argentina.


